Senado francês aprova lei para proibir uso de redes para menores de 15 anos
Texto aprovado pela Casa pretende bloquear apenas plataformas consideradas prejudiciais

Senadores franceses aprovaram na noite de terça-feira (31) um projeto de lei que visa proibir o acesso de crianças menores de 15 anos às redes sociais, juntando-se a outros países ao redor do mundo que consideram uma medida impopular entre muitos adolescentes, mas apoiada por alguns pais e professores.
O presidente Emmanuel Macron quer que a lei entre em vigor a tempo do início do próximo ano letivo, em setembro. Se aprovada, a França seguirá os passos da Austrália, cuja proibição pioneira no mundo para menores de 16 anos em plataformas como Facebook, Snapchat, TikTok e YouTube entrou em vigor em dezembro.
Embora a legislação tenha sido aprovada na Câmara dos Deputados como uma proibição geral, os senadores emendaram o texto em nível de comissão, afirmando que desejam bloquear o acesso apenas às plataformas consideradas prejudiciais para crianças. Outras poderiam ser acessadas com autorização dos pais.
A lista de redes sociais prejudiciais será definida posteriormente por decreto.
"Acreditamos que, embora uma proibição total do acesso às redes sociais para menores de 15 anos tenha o mérito de representar uma posição firme, ela corre o risco de ser inconstitucional em relação aos direitos das crianças e adolescentes e desrespeita o princípio da autoridade parental", disse o senador David Ros.
Países em toda a Europa e em outros continentes estão considerando maneiras de restringir o uso das redes sociais, após se conscientizarem cada vez mais dos riscos que elas representam para as crianças.
Na semana passada, um júri em Los Angeles considerou a Meta e o Google, da Alphabet, negligentes por projetarem plataformas de redes sociais prejudiciais aos jovens e as responsabilizou por danos em um caso que pode servir de precedente para outros.
A senadora Evelyne Corbiere Naminzo afirmou que "proibição não é educação" e que banir o acesso às plataformas não ensina os adolescentes a usar as redes sociais de forma saudável.
A aprovação do Senado significa que pode haver um impasse entre as duas casas legislativas, embora a Câmara dos Deputados tenha a palavra final.


