Sentença a policial que matou George Floyd divide opiniões nos EUA

Irmão da vítima pede condenação maior; já o presidente americano Joe Biden achou a pena justa

Heloísa Villela, da CNN, em Nova York

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Após exatos 14 meses entre o dia do assassinato até o anúncio da sentença, o caso George Floyd chegou ao fim e o ex-policial Derek Chauvin foi condenado a 22 anos e meio de prisão – os primeiros 15 na penitenciária de Mineápolis, por motivo de segurança, e os outros sete anos e meio em liberdade vigiada. A decisão gerou muito debate nos Estados Unidos.

O presidente Joe Biden e alguns parentes de Floyd acharam a sentença justa. Mas o irmão mais velho, Philonise Floyd, acha que não passou de uma “palmada”.

No local onde ele foi assassinado, muitas pessoas reagiram gritando o nome de Floyd e aplaudindo quando a sentença saiu. Mas muitas também reclamaram, acreditando que 22 anos e meio são pouco para quem cometeu um assassinato.

“As coisas não mudam da noite para o dia. Mas a mudança está vindo e quero que elas vejam”, disse à CNN Evelyn Pacheco, que fez questão que as netas visitassem o memorial de Floyd.

Condenação histórica

Essa foi a primeira vez que um policial branco foi condenado por assassinato no estado de Mineápolis – resultado raro em todo o país. E o vídeo gravado por uma jovem de 17 anos foi essencial para condenar Chauvin.

Ela foi uma das testemunhas no julgamento, que também ouviu uma menina de 9 anos e um senhor de 61, que chorou no tribunal ao lembrar da cena quando Chauvin manteve o joelho sobre o pescoço de Floyd, que morreu asfixiado.

O vídeo foi minuciosamente analisado por especialistas e condenado por policiais, inclusive pelo chefe de polícia de Mineápolis.

Antes de anunciar a sentença, o juiz Peter Cahill ouviu os dois lados. Derek Chauvin não pediu desculpas à família de Floyd, mas ofereceu condolências. Giana, filha mais nova de George, disse, por vídeo, que tem saudades do pai.

O irmão Terrence ainda se pergunta porque Chauvin não se levantou e o que pensava enquanto pressionava o pescoço de Floyd, pedindo a pena máxima em nome dos parentes.

Chauvin é réu primário e, por isso, a pena podia ser de até 12 anos e meio. Mas o juiz levou em conta dois agravantes: o abuso de autoridade e a crueldade que o policial demonstrou, aumentando o tempo de prisão.

George Floyd
George Floyd
Foto: Reprodução/Instagram

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