Síria permanecerá fora da guerra a menos que sofra agressão, diz presidente

Durante participação em evento, Ahmed al-Sharaa afirmou que atualmente "as coisas não são governadas por pessoas sensatas"

Mrinmay Dey, Chris Thomas e Catarina Demony, da Reuters
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O presidente sírio, Ahmed al-Sharaa, afirmou nesta terça-feira (31) que seu país permanecerá fora da guerra entre os EUA e Israel contra o Irã, a menos que a Síria seja alvo de agressão e não haja soluções diplomáticas.

"A menos que a Síria seja alvo de qualquer uma das partes, o país permanecerá fora de qualquer conflito", disse o presidente sírio em um evento organizado pelo think tank Chatham House, em Londres.

"Não queremos que a Síria seja palco de guerra. Mas, infelizmente, hoje, as coisas não são governadas por pessoas sensatas. A situação é volátil e imprevisível", disse o presidente.

O conflito, que já dura um mês, se espalhou pela região, matando milhares de pessoas, interrompendo o fornecimento de energia e ameaçando levar a economia global a uma crise.

"Queremos que a Síria tenha relações ideais com toda a região, com o Líbano, o Iraque, a Turquia, a Arábia Saudita e potências mundiais como o Reino Unido, a França, a Alemanha e os Estados Unidos. Acredito que a Síria está qualificada para iniciar uma rede de relações estratégicas", disse ele, respondendo a uma pergunta sobre se a Síria permaneceria neutra enquanto o conflito continua.

A Síria tem se esforçado para se manter à margem do conflito regional que envolveu países vizinhos, incluindo o Líbano, onde o grupo armado Hezbollah trava combates com tropas terrestres israelenses, e o Iraque, onde facções alinhadas ao Irã lançaram ataques com drones e foguetes.

A Síria enviou milhares de soldados para sua fronteira oeste com o Líbano e sua fronteira leste com o Iraque no início deste mês. O Ministério da Defesa sírio afirmou que o destacamento fazia parte dos esforços para "proteger e controlar as fronteiras em meio à escalada do conflito regional".

"Já tivemos guerra suficiente. Pagamos uma conta alta. Não estamos prontos para outra experiência de guerra", disse o presidente da Síria.

O que está acontecendo no Oriente Médio?

Os Estados Unidos e Israel estão em guerra com o Irã. O conflito teve início no dia 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado entre os dois países matou o líder supremo do país, Ali Khamenei, em Teerã.

Diversas autoridades do alto escalão do regime iraniano também foram mortas. Além disso, os EUA alegam ter destruído dezenas de navios do país, assim como sistemas de defesa aérea, aviões e outros alvos militares.

Em retaliação, o regime dos aiatolás fez ataques contra diversos países da região, como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã. As autoridades iranianas dizem que têm como alvo apenas interesses dos Estados Unidos e Israel nessas nações.

Mais de 1.750 civis morreram no Irã desde o início da guerra, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, que tem sede nos EUA. A Casa Branca, por sua vez, registrou ao menos 13 mortes de soldados americanos em relação direta aos ataques iranianos.

O conflito também se expandiu para o Líbano. O Hezbollah, um grupo armado apoiado pelo Irã, atacou o território israelense em retaliação à morte de Ali Khamenei. Com isso, Israel tem realizado ofensivas aéreas contra o que diz ser alvo do Hezbollah no país vizinho. Centenas de pessoas morreram no território libanês desde então.

Com a morte de grande parte de sua liderança, um conselho do Irã elegeu um novo líder supremo: Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei. Especialistas apontam que ele não fará mudanças estruturais e representa continuidade da repressão.

Donald Trump mostrou descontentamento com essa escolha, a classificando como um "grande erro". Ele havia dito que precisaria estar envolvido no processo e pontuou que Mojtaba seria "inaceitável" para a liderança do Irã.