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    Sobe para 180 mil o número de evacuados na Índia e Paquistão por ciclone

    Intensidade do ciclone Biparjoy vem diminuindo, mas riscos de morte e destruição ainda são grandes; sistema meteorológico indiano informa que ventos fortes já começam a atingir a costa do país

    Homem anda de moto em rua alagada antes da chegada de ciclone Biparjoy, em Gujarat, Índia
    Homem anda de moto em rua alagada antes da chegada de ciclone Biparjoy, em Gujarat, Índia 15/06/2023REUTERS/Francis Mascarenhas

    Da CNN

    A velocidade do vento e as chuvas aumentaram na costa de Gujarat, na Índia, nesta quinta-feira (15), depois que autoridades do país e do vizinho Paquistão retiraram mais de 180 mil pessoas no caminho do ciclone Biparjoy.

    Biparjoy, que significa “desastre” ou “calamidade” na língua bengali, estava centrado no Mar da Arábia, a 50 quilômetros do porto de Jakhau, na Índia, e a 240 km do porto de Karachi, no sul do Paquistão, disseram autoridades meteorológicas.

    Com o clima em Gujarat piorando, o departamento de meteorologia da Índia afirmou que o ciclone estava prestes a atingir a costa.

    O Departamento Meteorológico da Índia (IMD) disse em um boletim que o ciclone pode causar maremotos no Mar Arábico de 2 a 3 metros que podem inundar áreas costeiras baixas em ambos os países.

    Classificado como uma tempestade de categoria um, o menos severo em uma escala de um a cinco, o Biparjoy parece ter perdido parte de sua intensidade.

    A previsão era de que o vento tivesse uma velocidade máxima sustentada de 115 a 125 km/h, com rajadas de até 140 km/h, abaixo da estimativa de quarta-feira de 150 km/h.

    Mais de 100 mil pessoas foram retiradas de oito distritos costeiros de Gujarat e transferidas para abrigos, afirmou o governo indiano.

    As autoridades disseram que as retiradas foram concluídas no Paquistão, onde cerca de 82.000 pessoas foram transferidas de áreas costeiras de alto risco.

    Uma ameaça crescente

    O ciclone Biparjoy ocorre menos de um ano após a chuva recorde de monções e o derretimento de geleiras devastarem áreas do Paquistão, ceifando a vida de quase 1.600 pessoas.

    Naquela ocasião, a força da enchente arrasou casas, deixando dezenas de milhares de pessoas presas na estrada sem comida ou água potável e vulneráveis a doenças transmitidas pela água.

    Uma análise das inundações do ano passado pela iniciativa World Weather Attribution descobriu que a crise climática desempenhou um papel importante. Ele disse que a crise pode ter aumentado a intensidade das chuvas em até 50%, em relação a uma chuva de cinco dias que atingiu as províncias de Sindh e Baluchistão.

    Chegada do ciclone na Índia e Paquistão nesta quinta-feira deve trazer chuva e ventos fortes, e tempestades costeiras / Reprodução / CNN

    A análise também descobriu que a probabilidade dessas inundações era de 1 em 100 anos, o que significa que há 1% de chance de chuvas igualmente fortes a cada ano.

    Um estudo publicado em 2021 na Frontiers in Earth Science por pesquisadores do Instituto de Inovação Meteorológica de Shenzhen e da Universidade Chinesa de Hong Kong, descobriu que os ciclones tropicais na Ásia podem ter o dobro do poder destrutivo até o final do século, com cientistas dizendo que a crise climática causada pelo homem já os está tornando mais fortes.

    Naquele ano, o ciclone tropical Tauktae, uma das tempestades mais fortes já registradas, atingiu a costa oeste da Índia, matando pelo menos 26 pessoas em cinco estados.

    Os ciclones tropicais estão entre os desastres naturais mais perigosos. Nos últimos 50 anos, esses ciclones causaram quase 780 mil mortes e cerca de US$ 1,4 bilhão em perdas econômicas em todo o mundo, de acordo com a Organização Meteorológica Mundial.

    (Publicado por Fábio Mendes, com informações da CNN e da Reuters)