Soldado que apostou na captura de Maduro é solto sob fiança nos EUA
Sargento das Forças Especiais foi acusado de lucrar US$ 400 mil utilizando informações privilegiadas sobre a captura do ditador

O soldado das forças especiais dos EUA acusado de lucrar US$ 400 mil usando informações privilegiadas para apostar na captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro foi libertado sob fiança de US$ 250 mil, informou um porta-voz do Departamento de Justiça nesta sexta-feira (24).
Gannon Van Dyke, que, segundo os promotores, esteve envolvido no planejamento e execução da captura de Maduro em sua casa em Caracas, em 3 de janeiro, foi indiciado na quinta-feira (23) em um tribunal federal de Manhattan por acusações que incluem fraude de commodities, fraude eletrônica e uso ilegal de informações confidenciais para ganho pessoal.
Ao ordenar a libertação de Van Dyke, de 38 anos, o juiz federal Brian Meyers, em Raleigh, Carolina do Norte, também exigiu que ele entregasse seu passaporte e suas armas de fogo, a menos que fosse obrigado a possuí-las por ordem de comando militar. Van Dyke não se declarou culpado ou inocente.
Van Dyke deve comparecer na terça-feira (28) perante a juíza federal Margaret Garnett, em Manhattan, que supervisionará seu caso daqui para frente. A Reuters não conseguiu identificar imediatamente seu advogado de defesa.
Na primeira acusação de uso de informação privilegiada envolvendo um mercado de previsões apresentada pelo Departamento de Justiça, os promotores afirmaram que Van Dyke apostou mais de US$ 33 mil na Polymarket entre 27 de dezembro de 2025 e 2 de janeiro de 2026 que Maduro deixaria o cargo em breve e que as forças americanas entrariam na Venezuela em breve.
Na época, os mercados atribuíam baixas probabilidades a esses eventos, o que significa que as apostas renderam a ele mais de US$ 400 mil, de acordo com a acusação.
Van Dyke retirou os fundos da Polymarket após a captura de Maduro, disseram os promotores. Posteriormente, ele teria pedido ao mercado de previsões que excluísse sua conta, em uma tentativa, segundo os promotores, de ocultar sua identidade.
A Polymarket afirmou ter encaminhado o caso ao Departamento de Justiça e cooperado com a investigação.
"Trabalhamos proativamente com todas as autoridades competentes em qualquer atividade suspeita em nossa plataforma", disse Shayne Coplan, fundador e CEO da Polymarket, em uma publicação na rede social X na sexta-feira.
Last month, we published our enhanced market integrity rules to combat insider trading.
When we identified a user trading on classified government information, we referred the matter to the DOJ & cooperated with their investigation.
Insider trading has no place on Polymarket.…
— Polymarket (@Polymarket) April 23, 2026
Van Dyke, um sargento-mestre das Forças Especiais do Exército dos EUA, está na ativa desde 2008 e lotado em Fort Bragg, na Carolina do Norte.
Os promotores afirmaram que Van Dyke esteve envolvido no "planejamento e execução" da captura de Maduro, mas não deram mais detalhes.
A acusação mencionou uma fotografia que Van Dyke publicou em sua conta do Google na madrugada de 3 de janeiro, horas depois de os militares americanos terem levado Maduro para o navio de assalto anfíbio USS Iwo Jima.
"Essa fotografia mostra Van Dyke no que parece ser o convés de um navio no mar, ao nascer do sol, vestindo uniforme militar americano e carregando um fuzil, ao lado de três outros indivíduos também vestindo uniforme militar americano", diz a acusação.


