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    Sonda espacial Voyager 1 para de se comunicar com a Terra

    Espaçonave da Nasa tem 46 anos e sofreu uma falha no computador que a impede de enviar dados científicos para a Terra

    Voyager opera além da heliosfera, a bolha de campos magnéticos e partículas do sol que se estende muito além da órbita de Plutão
    Voyager opera além da heliosfera, a bolha de campos magnéticos e partículas do sol que se estende muito além da órbita de Plutão Reprodução/Nasa

    Ashley Stricklandda CNN

    A espaçonave Voyager 1 da Nasa reportou um problema no computador que está causando uma pequena falha na comunicação entre a sonda de 46 anos e sua equipe de missão na Terra.

    Os engenheiros estão tentando resolver o problema enquanto a nave espacial antiga explora territórios cósmicos desconhecidos ao longo das profundezas do sistema solar.

    A Voyager 1 é atualmente a nave espacial mais distante da Terra, a cerca de 24 bilhões de quilômetros de distância, enquanto a sua gêmea Voyager 2 viajou mais de 20 bilhões de quilômetros do nosso planeta. Ambas estão no espaço interestelar e são as únicas naves espaciais a operar além da heliosfera, a bolha solar de campos magnéticos e partículas que se estende muito além da órbita de Plutão.

    Projetadas inicialmente para durar cinco anos, as sondas Voyager são as duas espaçonaves em operação há mais tempo na história. A sua vida útil excepcionalmente longa significa que ambas as naves espaciais forneceram informações adicionais sobre o nosso sistema solar e muito mais, após atingirem os seus objetivos preliminares de voar por Júpiter, Saturno, Urano e Netuno décadas atrás.

    Mas as suas viagens inesperadamente longas não foram isentas de desafios.

    A Voyager 1 tem três computadores a bordo, incluindo um sistema de dados de voo que coleta informações dos instrumentos científicos da espaçonave e as agrupa com dados de engenharia que refletem o estado atual da Voyager 1. O controle da missão na Terra recebe esses dados em código binário, ou seja, uma série de uns e zeros. Mas o sistema de dados de voo da Voyager 1 parece agora estar preso na repetição automática.

    Uma falha de longa distância

    A equipe da missão notou o problema pela primeira vez em 14 de novembro, quando a unidade de telecomunicações do sistema de dados de voo começou a enviar de volta um padrão repetido de uns e zeros, como se estivesse preso num loop.

    Embora a sonda ainda possa receber e executar comandos transmitidos pela equipe da missão, um problema com aquela unidade de telecomunicações significa que nenhum dado científico ou de engenharia da Voyager 1 está sendo devolvido à Terra.

    A equipe da Voyager enviou comandos no fim de semana para a espaçonave reiniciar o sistema de dados de voo, mas nenhum dado utilizável chegou ainda, de acordo com a Nasa.

    Ilustração representando uma das espaçonaves gêmeas Voyager da Nasa. que entraram no espaço interestelar – o espaço fora da heliosfera do nosso Sol; nossa galáxia é formada por um sol, oito planetas, 290 luas, cinco planetoides ou planetas anões e milhões de asteroides e cometas
    Ilustração representando uma das espaçonaves gêmeas Voyager da Nasa que entraram no espaço interestelar / Nasa/JPL-Caltech

    Os engenheiros da Nasa estão atualmente tentando reunir mais informações sobre a causa do problema antes de determinar os próximos passos para possivelmente corrigi-lo, disse Calla Cofield, especialista em relações com a mídia do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa em Pasadena, Califórnia, que gerencia a missão. O processo pode levar semanas.

    A última vez que a Voyager 1 teve um problema semelhante, mas não idêntico, com o sistema de dados de voo foi em 1981, e o problema atual não parece estar ligado a outras falhas que a nave espacial sofreu nos últimos anos, disse Cofield.

    À medida que ambas as sondas Voyager passam por novos testes, os membros da equipe da missão têm apenas os manuais originais escritos há décadas para consultar, e estes não conseguem explicar os desafios que a nave espacial enfrenta à medida que envelhece.

    A equipe da Voyager quer considerar todas as implicações potenciais antes de enviar mais comandos à nave espacial para garantir que as suas operações não sejam afetadas de forma inesperada.

    A Voyager 1 está tão longe que leva 22,5 horas para que os comandos enviados da Terra cheguem à espaçonave. Além disso, a equipe deverá aguardar 45 horas para receber uma resposta.

    Mantendo as sondas Voyager vivas

    Engenheiros protegendo a cobertura do Voyager 1 Golden Record em 1977.
    Engenheiros protegendo a cobertura do Voyager 1 Golden Record em 1977. / NASA/JPL-Caltech

    À medida que as antigas sondas gêmeas Voyager continuam a explorar o cosmos, a equipe desligou lentamente os instrumentos dessas “cidadãs idosas” para conservar energia e estender suas missões, disse anteriormente à CNN Suzanne Dodd, gerente de projeto da Voyager.

    Ao longo do caminho, ambas as naves espaciais encontraram problemas inesperados e interrupções, incluindo um período de sete meses em 2020, quando a Voyager 2 não conseguiu se comunicar com a Terra. Em agosto, a equipe da missão usou uma técnica de “grito” de longo alcance para restaurar as comunicações com a Voyager 2 depois que um comando orientou inadvertidamente a antena da espaçonave na direção errada.

    Embora a equipe espere restaurar o fluxo regular de dados enviados pela Voyager 1, o principal valor da missão reside na sua longa duração, disse Cofield. Por exemplo, os cientistas querem ver como as partículas e os campos magnéticos mudam à medida que as sondas se afastam da heliosfera. Mas esse conjunto de dados estará incompleto se a Voyager 1 não conseguir devolver informações à medida que avança.

    A equipe da missão tem sido criativa nas suas estratégias para ampliar o fornecimento de energia em ambas as naves espaciais nos últimos anos, para permitir que as suas missões recorde continuem.

    “As Voyagers estão tendo um desempenho muito, muito além de suas missões principais e por mais tempo do que qualquer outra espaçonave na história”, disse Cofield. “Portanto, embora a equipe de engenharia esteja trabalhando duro para mantê-las vivas, também esperamos que surjam problemas”.

    Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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