Super El Niño atinge nível recorde e inibe furacões no Atlântico

Variação na velocidade dos ventos impede formação de grandes sistemas tropicais na principal região do oceano

Chris Dolce, da CNN
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O Oceano Atlântico não registrou nenhum furacão no mês de setembro pela primeira vez em mais de 30 anos — o mais recente efeito de um super El Niño que, segundo ampla previsão, deverá se tornar o mais forte já registrado.

Apenas outros três meses de setembro não registraram furacões no Atlântico desde o início dos registros, em 1950.

A última vez que isso ocorreu foi em 1994; anteriormente, o fenômeno havia sido observado em 1972 e 1962, segundo o dr. Phil Klotzbach, especialista em furacões da Universidade Estadual do Colorado.

Três tempestades tropicais se formaram no mês passado; portanto, o Atlântico não esteve totalmente inativo.

Dessas, a Tempestade Tropical Fay foi a que mais se aproximou da intensidade de furacão.

Seus ventos ficaram cerca de seis quilômetros por hora abaixo desse patamar, mas existe a possibilidade de a classificação de Fay ser elevada na revisão final do Centro Nacional de Furacões.

Os números são expressivos. A média por temporada é de sete furacões, e já deveríamos ter registrado cinco deles a esta altura.

O ano passado ficou abaixo da média, com cinco — mas quatro já haviam surgido antes do início de outubro, sendo que três deles ocorreram em setembro.

Setembro é, geralmente, o período de pico dos furacões, pois as águas quentes que alimentam as tempestades atingem sua maior extensão e temperatura mais elevada, coincidindo com condições atmosféricas favoráveis.

Em média, formam-se de dois a três furacões durante esse mês.

Esta temporada, inibida pelo fenômeno El Niño, já superou o recorde mais confiável de maior espera até o surgimento do primeiro furacão; a ausência de qualquer tempestade no início de outubro abre caminho para uma possibilidade ainda mais rara: uma temporada inteira no Atlântico sem furacões.

A marca do El Niño está presente em todas as regiões tropicais

As temperaturas da água têm estado suficientemente elevadas para a formação de furacões no Atlântico, mas o cisalhamento do vento intensificado pelo El Niño, é o principal motivo pelo qual a temporada foi inibida.

O cisalhamento do vento refere-se a variações na velocidade e na direção do vento em diferentes níveis da atmosfera, sendo capaz de despedaçar desde sistemas tropicais em formação até furacões plenamente desenvolvidos.

Segundo Klotzbach, o cisalhamento tem atingido níveis recordes de intensidade desde o verão em partes da chamada "região de desenvolvimento principal" do Atlântico, que se estende da África até o Caribe.

Como o nome sugere, é nessa área que muitas tempestades se originam no auge da temporada — de meados de agosto ao início de outubro —, mas, neste ano, a atividade na região praticamente paralisou.

As tempestades tropicais Dolly e Gonzalo são os únicos sistemas que se formaram nesta parte do oceano até agora, e uma barreira de cisalhamento do vento acabou por dissipar ambas. A Dolly durou um dia; a Gonzalo quase chegou a dois.

Enquanto isso, as águas extremamente quentes associadas ao El Niño tornaram a temporada de furacões no Pacífico oriental e central hiperativa.

Um total de 20 tempestades nomeadas — incluindo três furacões de categoria 5 — percorreu essas bacias oceânicas.

A intensificação extremamente rápida do furacão Polo para a Categoria 5, com ventos de aproximadamente 290 km/h ao largo da costa do México na semana passada, igualou-o ao terceiro furacão mais forte já registrado no Pacífico Oriental.

E o Havaí enfrenta a exaustão causada pelos furacões, depois que Lala, Lowell e Nolo passaram raspando pelo arquipélago, trazendo chuvas fortes e ventos intensos.

Ano sem furacão?

Houve apenas dois anos sem furacões no Atlântico: 1914 e 1907.

No entanto, ambos vêm com uma ressalva, uma vez que ocorreram antes de satélites e aeronaves começarem a monitorar furacões com maior precisão; portanto, algum deles podem ter passado despercebidos.

Nos registros mais recentes — desde 1950 — não houve uma única temporada no Atlântico sem a ocorrência de furacões.

As temporadas de 1982 e 2013 registraram o menor número, com apenas dois cada.

Ainda restam dois meses, e outubro registra, em média, a formação de um furacão por ano; ocasionalmente, novembro também pode gerar um.

No entanto, quanto mais avançamos pelo mês, maiores são as chances da temporada terminar sem nenhum.

Tempestades de fim de temporada tendem a se formar mais perto dos Estados Unidos — inclusive no Golfo, no Caribe e ao largo da costa Sudeste —, o que aumenta a probabilidade de atingirem o continente.

A região do Caribe está sob forte influência do cisalhamento do vento associado ao El Niño; portanto, é provável que deixe de ser uma área propícia à formação de tempestades pelo restante da temporada.

No entanto, como este ano demonstrou, não é necessário um sistema com força de furacão para causar impactos significativos — especialmente em um mundo em aquecimento, onde os sistemas tropicais estão se tornando mais chuvosos.

As tempestades tropicais Arthur e Edouard tiveram curta duração, mas as chuvas intensas associadas a ambas provocaram inundações repentinas significativas e exigiram operações de resgate na região da Costa do Golfo.

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