Talibã acusa Paquistão de matar 400 pessoas em ataque aéreo; país nega
Ofensiva teria atingido um hospital de reabilitação para usuários de drogas em Cabul; governo paquistanês classificou a acusação como falsa e enganosa
O Talibã acusou o Paquistão de matar pelo menos 400 pessoas e ferir 250 em um ataque aéreo a um hospital de reabilitação para usuários de drogas em Cabul, capital afegã, informou um porta-voz do governo afegão na noite desta segunda-feira (16).
O Paquistão rejeitou a alegação, classificando-a como falsa e enganosa, e afirmou que "alvejou precisamente instalações militares e infraestrutura de apoio terrorista" na noite de segunda-feira.
Hamdullah Fitrat, porta-voz adjunto do Talibã, disse que o ataque aéreo ocorreu às 21h de segunda-feira, horário local (13h30, em Brasília), e teve como alvo o hospital de reabilitação para usuários de drogas Omid, com 2 mil leitos.
"Grandes partes do hospital foram destruídas e há temores de um grande número de vítimas", disse ele em uma publicação na rede social X.
"Infelizmente, o número de mortos já chegou a 400, com até 250 feridos", informou.
Equipes de resgate estavam no local trabalhando para controlar o incêndio e socorrer as vítimas, acrescentou.
A Reuters não conseguiu verificar o número de vítimas e não foi possível contatar os militares paquistaneses para comentar o assunto fora do horário comercial. O Ministério da Informação e Radiodifusão do Paquistão afirmou que a alegação do Talibã afegão era uma "distorção dos fatos".
Em uma publicação na internet, o ministério afirmou que o Paquistão tinha como alvo instalações militares e "infraestrutura de apoio terrorista", incluindo depósitos de equipamentos técnicos e munições do Talibã afegão e de militantes do Talibã paquistanês em Cabul e Nangarhar, que estariam sendo usados contra civis paquistaneses.
"Os ataques do Paquistão são precisos e realizados com cuidado para garantir que nenhum dano colateral seja causado", dizia a publicação.
"Essa distorção dos fatos, alegando que se tratava de um centro de reabilitação para dependentes químicos, busca inflamar os ânimos, encobrindo o apoio ilegítimo ao terrorismo transfronteiriço", disse o ministério.
Os intensos combates entre os vizinhos do sul da Ásia, que antes eram aliados próximos, eclodiram no mês passado com ataques aéreos paquistaneses no Afeganistão, que Islamabad afirmou terem como alvo redutos militantes.
O Afeganistão classificou os ataques como uma violação de sua soberania, que atingiram civis, e lançou seus próprios ataques.
Ambos os lados alegam ter infligido grandes danos um ao outro, mas não foi possível realizar uma verificação independente.
Islamabad afirma que Cabul oferece refúgio a militantes que lançam ataques contra o Paquistão. O Talibã nega a alegação, afirmando que o combate ao extremismo é um problema interno do Paquistão.
O conflito havia diminuído em meio às tentativas de países amigos, incluindo a China, de mediar e pôr fim aos combates, antes de reacender.
Richard Bennett, Relator Especial da ONU para os direitos humanos no Afeganistão, disse estar "consternado" com os novos relatos de ataques aéreos paquistaneses e as consequentes mortes de civis.
"Meus pêsames. Exorto as partes a reduzirem a tensão, exercerem a máxima contenção e respeitarem o direito internacional, incluindo a proteção de civis e bens civis, como hospitais", disse ele em uma publicação na rede social X.


