Talibã mata a tiros membro da família de jornalista da imprensa alemã

Parte da família do editor da emissora Deutsche Welle (DW) conseguiu fugir do ataque; há relatos de que o grupo islâmico tem revistado casas

Nadine Schmidt, da CNN, em Berlim

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O Talibã matou um membro da família de um jornalista da Deutsche Welle (DW), disse a emissora internacional alemã. Em um artigo publicado nesta quinta-feira (19), a DW afirmou que combatentes do grupo procuravam por um de seus jornalistas no Afeganistão e confirmaram que um parente do jornalista foi morto a tiros, deixando outra pessoa gravemente ferida. 

Segundo a DW, outros parentes conseguiram escapar e fogem do local desde o ataque. “O assassinato de um parente próximo de um de nossos editores pelo Talibã é inconcebivelmente trágico e testemunha o perigo agudo em que se encontram todos os nossos funcionários e suas famílias no Afeganistão”, disse o diretor-geral da DW, Peter Limbourg, no artigo. 

“É evidente que o Talibã já está realizando buscas organizadas de jornalistas, tanto em Cabul quanto nas províncias. Nosso tempo está acabando!”, afirmou Limburg. O artigo acrescenta que as casas de pelo menos três jornalistas da DW foram revistadas pelo Talibã.

O porta-voz de imprensa da DW, Christoph Jumpelt, disse à CNN em um comunicado por escrito que ”neste momento não estamos dando declarações individuais relativas ao trágico evento envolvendo os parentes de um de nossos jornalistas.”

No último domingo (15) – o dia em que Cabul caiu nas mãos do grupo islâmico – a DW e outros grandes meios de comunicação alemães instaram o governo alemão a ajudar a evacuar seus funcionários afegãos para a Alemanha.

Em uma carta aberta à chanceler alemã Angela Merkel e ao ministro das Relações Exteriores Heiko Maas, os principais jornais alemães, bem como emissoras públicas e comerciais, incluindo DW e a agência de notícias DPA, solicitaram uma evacuação rápida de seus jornalistas afegãos cujas vidas estavam em perigo. 

Eles também pediram um programa de visto de emergência para permitir que seus funcionários emigrassem para a Alemanha. Os signatários da carta avisaram que “as vidas desses funcionários autônomos estão agora em grave perigo”.

“Até a vida em Cabul se tornou extremamente arriscada para funcionários de organizações de mídia internacionais. Após a retirada das tropas internacionais, incluindo tropas alemãs, há preocupações crescentes de que o Talibã se vingue de nossos funcionários”, disse a carta.

A carta acrescenta que dezenas de jornalistas foram assassinados nos últimos anos, pelo Talibã, pelo “Estado Islâmico” ou por pessoas desconhecidas – e quase nunca o governo identificou os autores.

“É preciso temer que agora esses assassinatos aumentem dramaticamente – e muitos de nossos funcionários estão em risco. Os funcionários que desejam deixar o país enfrentam perseguição, prisão, tortura e morte. Portanto, pedimos que aja rapidamente”, imploram os signatários da carta.

A chanceler alemã descreveu a tomada do Afeganistão pelo grupo como “amarga, dramática e terrível” e enfatizou a importância de evacuar o maior número possível de afegãos, que apoiaram os esforços civis e militares alemães no país.

Combatentes do Talibã patrulham rua em Cabul
Combatentes do Talibã patrulham rua em Cabul nesta quinta-feira (19), dia em que o grupo celebrou a independência do Afeganistão
Foto: Rahmat Gul/AP

(Este texto é uma tradução. Para ler o original, em inglês, clique aqui)

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