Tribunal do Reino Unido ordena que Emir de Dubai pague R$4,1 bilhões à ex-mulher

Governante usou a "riqueza, poder político e influência internacional" para tentar ameaçar e silenciar a ex-esposa, de acordo com a decisão

Hannah Ritchieda CNN

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O governante de Dubai, ou Emir, Mohammed bin Rashid al-Maktoum, foi condenado a pagar à ex-esposa, a princesa Haya bint al-Hussein, mais de US$728 milhões (R$4,1 bilhões), em um dos maiores acordos de divórcio já aprovados por um tribunal no Reino Unido.

O valor será usado para cobrir os custos de segurança da princesa Haya para o resto de sua vida, bem como os custos correntes dos dois filhos do casal – Al Jalila Bint Mohammed Bin Rashid Al Maktoum e Sheikh Zayed Bin Mohammed Bin Rashid Al Maktoum – com um pagamento adiantado de US$333 milhões (R$1,9 bilhão), com vencimento nos próximos três meses.

Não há um valor fixo no acordo total, já que o tribunal decidiu que o Emir Mohammed deve pagar as despesas anuais de segurança de seus dois filhos, de nove e 14 anos, pelo resto de suas vidas ou até que uma nova ordem judicial seja emitida.

No julgamento publicado na terça-feira (21), o juiz do caso, Philip Moor, afirmou que a maior ameaça enfrentada pela princesa Haya e seus filhos Jalila e Zayed vem do próprio “[Sheik Mohammed], não de fontes externas.”

A determinação foi feita em referência à “campanha” de intimidação do Emir contra Haya, incluindo “sua capacidade de fazer uso do software Pegasus, que está disponível apenas para governos”, para espionar a princesa e sua equipe, informação revelada em documentos judiciais em outubro.

Outros detalhes sobre o casamento entre Mohammed e princesa Haya foram revelados no julgamento por escrito, incluindo evidências de que a princesa pagou a quatro seguranças cerca de US$8,8 milhões (R$50 milhões) em chantagem para ficar em silêncio sobre um caso que teve com um deles.

Detalhes foram ouvidos no tribunal no início do caso, incluindo alegações da princesa de que ela havia recebido um telefonema ameaçador do Emir sobre o assunto na época, o que a deixou “apavorada”.

Após a decisão, um porta-voz do governante disse que ele sempre garantiu o sustento de seus filhos.

“O tribunal já fez sua decisão sobre finanças e ele não pretende comentar mais”, disse o porta-voz em um comunicado. “Ele pede que a mídia respeite a privacidade de seus filhos e não se intrometa em suas vidas no Reino Unido”, concluiu.

O acordo de divórcio marca o estágio final de uma batalha de anos entre o casal, durante a qual a alta corte do Reino Unido concluiu que o Emir Mohammed usou sua “imensa riqueza, poder político e influência internacional” na tentativa de intimidar e silenciar a princesa de 47 anos.

Uma decisão separada emitida em março de 2020 concluiu que o Sheik havia organizado anteriormente o sequestro de duas de suas filhas e as levou à força para Dubai, onde as manteve contra sua vontade.

O Emir negou repetidamente todas as acusações levantadas no caso.

Caroline Faraj, da CNN, contribuiu para essa reportagem

Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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