Trump aconselha cidadãos americanos a deixarem o Irã em meio aos protestos

Presidente dos EUA afirmou que "não é má ideia" deixar o território iraniano; ele não explicou um comentário sobre "ajuda" aos manifestantes

Kevin Liptak, da CNN
Compartilhar matéria

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aconselhou os cidadãos americanos que ainda estão no Irã a deixarem o país em meio aos protestos contra o regime.

"Eu diria que não é uma má ideia sair", disse Trump ao ser questionado se cidadãos americanos ou de países aliados dos EUA deveriam deixar o Irã.

O presidente se recusou a esclarecer e dar mais detalhes sobre uma publicação que fez mais cedo afirmando que "ajuda estava a caminho" dos manifestantes.

"Vocês terão que descobrir isso", disse ele a repórteres em uma fábrica em Michigan.

Além disso, ele não estimou quantas pessoas foram mortas até agora nos protestos, alegando que os números não estão claros.

"Ninguém conseguiu me dar um número preciso. Ouvi números... todos são muitos, um deles é muito... mas ouvi números muito menores e números muito maiores. Saberemos. Provavelmente descobriremos nas próximas 24 horas", explicou.

Mais de 2.000 pessoas morreram, incluindo 1.850 manifestantes, em mais de duas semanas de protestos, segundo um grupo de direitos humanos com sede nos EUA. A CNN não conseguiu confirmar esse número de forma independente.

Entenda os protestos no Irã

Protestos antigoverno no Irã eclodiram no país no final de dezembro, em uma onda de agitação nacional que representa o maior desafio ao regime em anos.

Os protestos começaram como manifestações nos bazares de Teerã contra a inflação desenfreada, mas se espalharam pelo país e se transformaram em manifestações mais gerais contra o regime.

As preocupações com a inflação atingiram o auge na semana passada, quando os preços de produtos básicos como óleo de cozinha e frango dispararam dramaticamente da noite para o dia, com alguns produtos desaparecendo completamente das prateleiras.

A situação foi agravada pela decisão do banco central de encerrar um programa que permitia a alguns importadores acessar dólares americanos mais baratos em comparação ao restante do mercado – o que levou lojistas a aumentarem os preços e alguns a fecharem suas portas, iniciando os protestos.

A decisão dos bazaaris, como são conhecidos, é uma medida drástica para um grupo tradicionalmente alinhado à República Islâmica.

O governo liderado por reformistas tentou aliviar a pressão ao oferecer transferências diretas de quase US$ 7 por mês, mas a medida não conseguiu conter a insatisfação.

As autoridades cortaram o acesso à internet e as linhas telefônicas na quinta-feira (8) – a maior noite de manifestações nacionais até agora – deixando o Irã praticamente isolado do mundo exterior.

Organizações de direitos humanos disseram que milhares de pessoas foram mortas desde o início dos protestos.

Enquanto isso, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou atacar o Irã se as forças de segurança responderem com força. O líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, pediu a Trump que "foque em seu próprio país" e culpou os EUA por incitarem os protestos.

*com informações da Reuters