Trump afirma que Irã vai interromper enriquecimento de urânio
Em entrevista, presidente afirmou que não há pressa para acordo nuclear, descrevendo conversas como em 'bloqueio'

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira estar (12) confiante de que o Irã interromperá o enriquecimento de urânio e abandonará qualquer esforço para construir uma arma nuclear, mesmo com as negociações entre Washington e Teerã ainda em impasse.
"Com certeza eles vão parar", declarou Trump durante uma entrevista ao programa "Sid and Friends in the Morning", da WABC, ao ser questionado se acreditava que o Irã poderia ser impedido de enriquecer urânio e desenvolver uma bomba.
O presidente informou que tem se reunido diretamente com autoridades iranianas durante as negociações.
“Eu lido com eles”, afirmou ele. “E eles disseram que vamos receber a poeira. Eu a chamo de poeira nuclear porque é apropriado. E nós vamos recebê-la.”
O presidente também disse que Washington não precisa avançar rapidamente para um acordo. “Não vamos apressar nada, temos um bloqueio”, reforçou Trump.
As declarações vêm um dia depois dele ter dito que o cessar-fogo entre os EUA e o Irã está em “suporte vital maciço” após a última contraproposta de Teerã, que ele descreveu como “simplesmente inaceitável”.
O que está acontecendo no Oriente Médio?
Os Estados Unidos e Israel estão em guerra com o Irã. O conflito teve início no dia 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado entre os dois países matou o líder supremo do país, Ali Khamenei, em Teerã.
Diversas autoridades do alto escalão do regime iraniano também foram mortas. Além disso, os EUA alegam ter destruído dezenas de navios do país, assim como sistemas de defesa aérea, aviões e outros alvos militares.
Em retaliação, o regime dos aiatolás fez ataques contra diversos países da região, como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã. As autoridades iranianas dizem que têm como alvo apenas interesses dos Estados Unidos e de Israel nessas nações.
Mais de 1.900 civis morreram no Irã desde o início da guerra, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, que tem sede nos EUA. A Casa Branca, por sua vez, registrou ao menos 13 mortes de soldados americanos em relação direta aos ataques iranianos.
O conflito também se expandiu para o Líbano. O Hezbollah, um grupo armado apoiado pelo Irã, atacou o território israelense em retaliação à morte de Ali Khamenei. Com isso, Israel tem realizado ofensivas aéreas contra o que diz ser alvo do Hezbollah no país vizinho. Mais de 2.600 morreram no território libanês desde então.
Com a morte de grande parte de sua liderança, um conselho do Irã elegeu um novo líder supremo: Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei. Especialistas apontam que ele não fará mudanças estruturais e representa continuidade da repressão.
Donald Trump mostrou descontentamento com essa escolha, classificando-a como um "grande erro". Ele havia dito que precisaria estar envolvido no processo e pontuou que Mojtaba seria "inaceitável" para a liderança do Irã.



