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Trump defende economia dos EUA em visita a Iowa e promete juros menores

Republicano disse que taxas vão começar a cair com troca no comando do FED (Federal Reserve) em maio

Saulo Tiossi, da CNN Brasil, São Paulo
  • Reuters
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, visitou nesta terça-feira (27) o estado de Iowa e voltou a dizer que a inflação baixou e que o emprego cresceu no seu mandato, mesmo com as demissões promovidas por sua gestão no setor público. No estado que é um dos pilares do agronegócio americano, o republicano disse que o setor se beneficiou das tarifas de importação.

"O Japão agora permitirá que os EUA forneçam até 100% do etanol para automóveis e vão importar dos EUA grandes quantidades de biocombustíveis para aviação. Isso é ótimo para vocês, fazia parte do acordo que fizemos", comemorou o americano.

A visita a Iowa foi realizada às vésperas da reunião do FED (Federal Reserve) que voltou a ser alvo de críticas. O republicano disse que os juros vão cair após a troca no comando do Banco Central em maio: "Quando tivermos um ótimo presidente do Fed, e acho que teremos um. Vou anunciar isso muito em breve... vocês verão as taxas caírem bastante."

A viagem a Iowa foi um aceno aos produtores rurais, importante eleitorado do movimento Maga (sigla em inglês para "Faça América Grande de Novo"), mas Trump não escapou das perguntas sobre a morte de um manifestante por um agente federal durante os protestos em Minneapolis contra a repressão aos imigrantes.

"Já falamos sobre Minnesota, você provavelmente viu, a criminalidade diminuiu bastante. Sabe por quê? Porque tiramos milhares de criminosos de Minnesota, e é por isso que está tudo bem", disse Trump.

No cenário externo, o presidente sofre críticas do eleitorado pelo intervencionismo na Venezuela e pelo mal-estar que criou na relação com aliados da Otan, (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e europeus.

Na tentativa de diminuir a dependência do mercado americano, a União Europeia busca novos parceiros ao redor do mundo. Depois do Mercosul, o bloco assinou um acordo de livre comércio com a Índia após 18 anos de negociações.

Aliada histórica da Casa Branca, a Índia viu os laços ruírem após uma sobretaxa de 50% que Trump aplicou sobre o país desde agosto do ano passado. A medida foi uma forma de retaliação ao governo do primeiro-ministro, Narendra Modi, por não abrir mão da compra do petróleo russo.

O tratado fortalece as relações econômicas e políticas entre o bloco europeu — de 447 milhões de habitantes — com o país asiático com quase um bilhão e meio de pessoas. Juntos, representam um quarto da população mundial.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, classificou o tratado de "a mãe de todos os acordos". Em nota conjunta, Índia e União Europeia afirmaram que  o tratado é considerado um marco para aprofundar a parceria econômica em um cenário de incerteza global e fragmentação do comércio internacional.

Recentemente, Donald Trump ameaçou tarifas retaliatórias contra nações da Otan, numa escalada retórica pela pressão para anexar a Groenlândia, ilha no ártico que pertence à Dinamarca.