Trump demite procuradora-geral dos Estados Unidos

Presidente chegou a ter uma conversa com Pam Bondi, na qual afirmou que ela não ficaria muito tempo no cargo, segundo uma fonte

Kristen Holmes, Kaitlan Collins e Hannah Rabinowitz, da CNN
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, demitiu Pam Bondi do cargo de procuradora-geral. O então vice-procurador, Todd Blanche, assumirá a função interinamente.

Trump confirmou a demissão em publicação na Truth Social, na qual chamou Bondi de "grande patriota americana e uma amiga leal".

"Amamos Pam, e ela fará a transição para um novo emprego muito necessário e importante no setor privado, cuja data será anunciada em breve", adicionou.

Nos últimos dias, Trump havia conversado com aliados sobre a possibilidade de demitir Bondi e conversou pessoalmente com ela na quarta-feira (1°) sobre essa possibilidade, segundo fontes.

Na conversa, que uma fonte descreveu como "dura", Trump indicou que Bondi não ficaria muito tempo no cargo e que ele a substituiria em breve.

Pessoas ouvidas pela CNN pontuaram que Bondi foi informada de que receberia um cargo diferente posteriormente. Na conversa, Trump mencionou a possibilidade de nomeá-la juíza após sua saída do Departamento de Justiça.

Bondi estava presente no pronunciamento de Trump à nação na quarta-feira. A CNN entrou em contato com o Departamento de Justiça americano e aguarda retorno.

Frustração de Trump com procuradora-geral

Trump estava frustrado com Bondi em várias frentes, disseram as fontes. Em particular, he estava irritado com a forma como ela lidou com o caso Jeffrey Epstein.

Algumas pessoas próximas ao presidente acreditam que as declarações da então procuradora-geral sobre o assunto contribuíram para a impressão de que o governo estava retendo indevidamente documentos do público.

Muitos cidadãos americanos ficaram descontentes com o fato de Bondi ter dito em uma entrevista à Fox News em fevereiro de 2025 que uma lista de clientes de Epstein estava "na minha mesa agora para ser revisada", para depois o Departamento de Justiça afirmar que tal lista não existia.

Pam Bondi afirmou posteriormente que estava se referindo a toda a documentação relacionada à investigação do caso, como registros de voos, e não a uma lista específica de clientes.

Ela está sendo intimada pelo Comitê de Supervisão da Câmara para depor sobre o caso Epstein ainda este mês.

Quando compareceu voluntariamente perante o comitê em meados de março, os parlamentares democratas se retiraram em menos de meia hora. Mas os republicanos permaneceram e fizeram perguntas, e o presidente republicano, James Comer, disse depois que não via mais necessidade de ela retornar e depor sob juramento.

Outro ponto de frustração de Trump foi o fato de Pam Bondi não ter investigado ou processado o suficiente seus oponentes políticos.

Um dos assuntos que chamaram a atenção de Trump é uma investigação sobre se John Brennan, ex-diretor da CIA, a agência de inteligência dos EUA, fez declarações falsas ao Congresso a respeito de uma avaliação da Inteligência de anos atrás sobre a interferência russa nas eleições de 2016.

Promotores de carreira em Miami disseram a funcionários do Departamento de Justiça que não consideram o caso sólido, mas ainda estão trabalhando para possíveis acusações no tribunal federal de Washington, D.C., conforme relatado anteriormente pela CNN.

Bondi convocou o procurador-chefe de Miami, que supervisiona a investigação, na quarta-feira para discutir o progresso e discutir sobre a suposta lentidão da investigação, de acordo com uma fonte.

A reunião foi interpretada por algumas people dentro do Departamento de Justiça americano como uma tentativa de mostrar que ela ainda estava conduzindo investigações que são prioridade para o presidente, disseram fontes.

Possível sucessor de Pam Bondi

Enquanto Todd Blanche assume a liderança do Departamento de Justiça interinamente, fontes disseram à CNN que Trump está considerando substituir Bondi pelo administrador da Agência de Proteção Ambiental, Lee Zeldin. Outros nomes também estão sendo avaliados.

A possibilidade de substituir Bondi por Zeldin surgiu pela primeira vez em janeiro, depois diminuiu à medida que a cobertura do caso Epstein deixou de ser noticiada, disseram as fontes.

Mas essa possibilidade voltou a circular na Casa Branca na segunda-feira. E nos últimos dias, Bondi teria perguntado em particular a pessoas próximas se elas acreditavam que seu cargo estava em risco, disseram fontes à CNN, indicando que ela não tinha certeza de sua posição perante o presidente.

Nas últimas semanas, a procuradora passou mais tempo perto de Trump, inclusive acompanhando-o na Suprema Corte para as alegações orais no caso da cidadania por nascimento na quarta-feira.

Essa é a estratégia oposta à adotada por outros altos funcionários do primeiro governo Trump, que reduziram seu tempo com o presidente quando perceberam que ele estava ficando insatisfeito com o trabalho deles.

*Casey Gannon e Evan Perez, da CNN, contribuíram para esta reportagem