Trump diz que acordo para desarmamento do Hamas foi alcançado; entenda

Hamas ainda não confirmou o tratado; autoridades americanas dizem que Israel se mantém cético quanto à eficácia da medida

Da CNN Brasil
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O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou, na noite de quinta-feira (30), o que descreveu como um acordo histórico para garantir o desarmamento completo do Hamas e de todos os outros grupos armados em Gaza — meses após ter anunciado pela primeira vez um acordo de cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos entre o Hamas e Israel.

"Hoje, o Conselho de Paz alcançou um acordo HISTÓRICO para o DESARMAMENTO COMPLETO do Hamas e de todos os outros grupos armados em Gaza", escreveu Trump em uma publicação na Truth Social.

"Este é um passo monumental em direção à PAZ e SEGURANÇA duradouras, acrescentou".

O alto funcionário do Hamas, Ghazi Hamad, confirmou à CNN que o grupo palestino chegou a um acordo com o Conselho de Paz para entregar suas armas, condicionado ao envio de uma Força Internacional de Estabilização para Gaza e ao cumprimento, por parte de Israel, das obrigações previstas no acordo de cessar-fogo de outubro.

“O acordo é um pacote completo”, disse Hamad. “Não iniciaremos nenhuma ação relacionada a armas até que Israel cumpra esses compromissos. Francamente, se Israel não os cumprir, não prosseguiremos.”

Um representante do Conselho de Paz afirmou que o Hamas e outras facções armadas entregariam, por fim, suas armas ao comitê, sendo que as armas policiais seriam transferidas primeiro e as armas pessoais, por último.

O desarmamento do Hamas é um passo fundamental na implementação do plano de paz de múltiplas fases de Trump para encerrar a guerra em Gaza e avançar para a criação de um governo tecnocrático na Faixa.

Mediadores vêm tentando negociar com o Hamas a implementação do plano há meses, mas há ceticismo na região quanto à possibilidade de o grupo cumprir sua parte no acordo.

"Se isso for implementado, se as armas desmilitarizadas recolhidas forem entregues, a autoridade de transição assume o controle. O Hamas se afasta do governo e da administração; todas essas medidas são tomadas para, de fato, reacender a perspectiva de um horizonte político para o povo palestino", disse o representante.

No início deste mês, o Hamas anunciou que dissolveria seu governo em Gaza — uma medida que, segundo especialistas, pressionou Israel em um momento em que o progresso do plano de cessar-fogo mediado pelos EUA havia estagnado. O comunicado do grupo sobre a decisão não mencionou o desarmamento.

Para este acordo de desarmamento, Washington coordenou com Israel "cada etapa do processo", disse um representante dos EUA, reconhecendo posteriormente que Israel permanece cético quanto ao desarmamento do Hamas, embora argumente que "este não é exatamente um acordo baseado na confiança".

A CNN entrou em contato com o gabinete do primeiro-ministro de Israel para obter comentários.

A embaixada de Israel em Washington e o Hamas também não responderam imediatamente a pedidos de comentários sobre a publicação de Trump.

"Pela primeira vez, o Hamas comprometeu-se oficialmente com um plano viável para entregar todas as suas armas, o que será seguido pela retirada de Israel de Gaza. Isso traz a promessa de benefícios significativos para o povo de Gaza, que espera há muito tempo por um futuro melhor, e de segurança para o povo de Israel", afirmou o Conselho de Paz em uma publicação na rede social X após o anúncio de Trump.

O presidente dos EUA afirmou que o acordo abriria caminho para que Gaza fosse governada por "um novo governo palestino" atuando em conjunto com seu Conselho de Paz, garantindo ao mesmo tempo que "Israel tenha a segurança que merece, sem que Gaza continue sendo usada como base para ataques terroristas".

Acordo dividido em fases

Trump afirmou que o acordo seria implementado em fases. À medida que grupos armados fossem desarmados, escreveu ele, as forças israelenses se retirariam e uma Força Internacional de Estabilização, trabalhando ao lado de uma nova força policial palestina, assumiria a responsabilidade pela segurança em Gaza.

Autoridades dos EUA e do Conselho de Paz descreveram, na quinta-feira, o acordo como o resultado de meses de "negociações muito delicadas" que levaram a um "avanço significativo", havendo um entendimento sobre "o que precisa ser feito", embora tenham ressaltado que se trata de um "acordo condicionado a requisitos específicos".

Em sua publicação, Trump agradeceu aos mediadores do Egito, do Catar e da Turquia, bem como à sua administração, por ajudarem a intermediar o acordo.

"Não se permitirá que a ameaça surgida em Gaza em 7 de outubro se reestruture!", escreveu Trump, acrescentando: "Com este acordo, Gaza estará finalmente nas mãos de um novo governo palestino que serve ao seu POVO".

"PARABÉNS A TODOS POR ESTE AVANÇO INCRÍVEL, QUE TODOS DIZIAM SER IMPOSSÍVEL DE ALCANÇAR!", concluiu.

Autoridades informaram que a implementação levará tempo, com a previsão de que condições detalhadas sejam publicadas dentro de duas semanas, acrescentando que a transição entre as fases ocorrerá apenas após a "conclusão verificada da fase anterior", aprovada por um comitê de verificação da implementação.

Fontes próximas às negociações disseram à Reuters, mais cedo na quinta-feira, que houve progresso nas negociações, mas é incerto se o acordo se sustentará, uma vez que uma autoridade israelense havia afirmado que os termos propostos não eram satisfatórios.

(Com informações de Alejandra Jaramillo, da CNN e da Reuters)