Trump diz que Arco do Triunfo em Washington também será complexo militar
Segundo presidente, instalação deve armazenar grande quantidade de drones e contar com atiradores de elite; plano para construção de monumento é alvo de críticas

O presidente Donald Trump apresentou neste domingo uma nova justificativa para sua proposta de construir um arco triunfal de 76 metros de altura diretamente em frente ao Cemitério Nacional de Arlington, dizendo que a estrutura também funcionaria como um “complexo militar de alto nível”.
“Diante do forte pedido das Forças Armadas dos Estados Unidos e por questões de Segurança Nacional, concordei em transformar o magnífico Arco do Triunfo, planejado desde a época da Guerra Civil, muitos anos atrás, no Receptive Circle, ao lado da Ponte Memorial de Arlington, em um Complexo Militar/Arco do Triunfo de alto nível", afirmou na Truth Social.
Segundo Trump, a estrutura deve "abrigar, armazenar e ter a capacidade de usar rapidamente grandes quantidades de drones, além de atiradores de elite, tanto no telhado quanto nas áreas da praça, e também ter e manter grandes quantidades de munição para atiradores de elite armazenadas”.
“Não haverá nenhuma instalação como esta em nenhum lugar do mundo”, acrescentou Trump.
O arco proposto é um dos vários projetos que Trump está promovendo em Washington, em uma tentativa de remodelar a capital, provocando batalhas judiciais movidas por grupos de preservação histórica e outros setores. A ideia de que o arco seria necessário por razões de segurança nacional reproduz um argumento usado por Trump para justificar a construção de um salão de baile da Casa Branca onde ficava a Ala Leste.
A localização proposta para o arco, em uma rotatória próxima a uma ponte que liga Washington, DC, à Virgínia, tem sido duramente criticada. Veteranos que processam o governo para impedir sua construção argumentam que a estrutura imponente, que incluiria um mirante para turistas, prejudicaria a linha de visão do Memorial de Lincoln para o Cemitério de Arlington e para Arlington House, o memorial a Robert E. Lee.
Os críticos também afirmam que o projeto precisa de aprovação do Congresso. A National Capital Planning Commission — uma das duas agências federais que analisam e aprovam grandes mudanças em propriedades do governo em Washington, DC — deu aprovação preliminar ao local e aos planos de construção apresentados pelo Departamento do Interior dos EUA. A data mais cedo em que a comissão poderia conceder aprovação final ao projeto é 1º de outubro.
A CNN entrou em contato com a Casa Branca para obter mais detalhes sobre a versão mais recente do plano de Trump. O Pentágono se recusou a comentar. O governo Trump intensificou nas últimas semanas seus argumentos em defesa da construção do projeto.
Um relatório divulgado pelo National Park Service no mês passado concluiu que o arco teria efeitos “adversos” sobre dezenas de marcos históricos e alteraria a “continuidade do projeto” de locais emblemáticos de Washington e das vistas dos monumentos ao redor.
No entanto, o mesmo relatório concluiu que o arco deve permanecer no local proposto, às margens do rio Potomac, porque o projeto é “inerentemente dependente da localização” e “não é intercambiável” com nenhum outro local.
O secretário do Interior, Doug Burgum, disse em 3 de setembro que os trabalhos de escavação começariam “ao longo das duas semanas seguintes”, embora os advogados do governo tenham recuado aparentemente no dia seguinte, afirmando em um documento apresentado à Justiça que o que está atualmente planejado são trabalhos de levantamento arqueológico necessários para “garantir o cumprimento de leis como a Lei Nacional de Preservação Histórica”.
A CNN não observou nenhum trabalho visível no local.
Os planos para o arco superaram um obstáculo significativo na semana passada, quando a Administração Federal de Aviação afirmou que a estrutura não interferirá com aeronaves que chegam ao vizinho Aeroporto Nacional Ronald Reagan de Washington, uma das preocupações iniciais dos opositores.
A intenção declarada de Trump de fazer com que o arco reforce as operações militares dos EUA é semelhante à justificativa jurídica usada por ele para construir o salão de baile da Casa Branca, que, segundo ele, também terá componentes militares e de segurança nacional.
Mas Trump começou a apresentar o salão de baile como uma necessidade de segurança nacional no fim de fevereiro, somente depois que o projeto começou a enfrentar contestações judiciais.
A Suprema Corte afirmou no mês passado que a construção do salão de baile poderia prosseguir.


