Trump promete “atingir o Irã com força” após ataque a bases dos EUA
Presidente americano diz que haverá resposta aos mísseis iranianos lançados contra duas bases na Jordânia; Teerã afirma que confronto foi “limitado e contido”
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu nesta segunda-feira (31) “atingi-los com força” depois que o Irã lançou mísseis durante a madrugada contra duas bases militares americanas na Jordânia, em resposta a um ataque dos EUA à ilha iraniana de Larak.
“Vamos atingi-los com força. Haverá uma resposta”, disse Trump, segundo um repórter da Fox News que o citou em entrevista ao canal.
Uma fonte iraniana de alto escalão, que falou à Reuters, descreveu as hostilidades durante a madrugada entre Estados Unidos e Irã — as primeiras desde o fim de julho — como um “confronto limitado e contido”, mas acrescentou que Teerã dará uma resposta dura caso seja atacado novamente.
Trump também afirmou que as defesas aéreas americanas derrubaram todos os mísseis iranianos que poderiam ter causado danos e disse que as novas e duras sanções econômicas dos EUA contra o Irã estavam tendo um grande impacto, informou a Fox News.
Aumento da pressão econômica
Washington intensificou recentemente os esforços para punir Teerã e seus parceiros comerciais com sanções secundárias de alto custo, enquanto a diplomacia permanece estagnada seis meses após o início da guerra, que começou com ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, ecoou Trump e afirmou nesta segunda-feira que a retomada das trocas de ataques mostrava que o Irã estava “reagindo” porque as novas sanções estavam causando um forte impacto em sua economia, já fragilizada.
“Eles estão levando isso muito a sério... estão chocados com a situação da economia deles”, disse Bessent a jornalistas durante uma reunião de ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais do G20, na Carolina do Norte. “Eu diria que eles estão reagindo cineticamente porque estão perdendo economicamente.”
Bessent disse à Reuters no domingo que novas sanções secundárias provavelmente seriam anunciadas semanalmente como parte dos esforços para pressionar o Irã, inicialmente com foco nos bancos.
EUA atacaram ilha iraniana no Estreito de Ormuz
As forças americanas atingiram no domingo dois lançadores iranianos na ilha de Larak, informou uma autoridade dos EUA, depois que “forças do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica foram observadas se preparando para lançar foguetes com minas marítimas no Estreito de Ormuz”.
Três pessoas morreram no ataque americano, informou a agência Tasnim. A Nournews, ligada ao Estado iraniano, disse que duas delas foram identificadas como integrantes da Marinha do Corpo da Guarda Revolucionária.
Larak é uma pequena ilha no Estreito de Ormuz, próxima ao estratégico porto iraniano de Bandar Abbas. O estreito, por onde normalmente passa um quinto dos carregamentos mundiais de petróleo bruto, está efetivamente bloqueado desde o início da guerra.
Em comunicado, o Comando Central dos EUA (CENTCOM) afirmou ter realizado uma ação “limitada e precisa” contra forças do Corpo da Guarda Revolucionária responsáveis por instalar minas, que representavam uma “ameaça iminente” no estreito. O comando não deu mais detalhes.
Em resposta, além de atacar as bases americanas na Jordânia, o Exército iraniano afirmou ter atingido a base aérea de Al Minhad, nos Emirados Árabes Unidos, na manhã de segunda-feira. O Ministério da Defesa dos Emirados, porém, classificou a informação como falsa.
Mais tarde, o Ministério da Defesa dos Emirados informou que sua Força Aérea interceptou um drone que havia vindo do Irã sobre suas águas territoriais. Não foram divulgados mais detalhes.
A televisão estatal iraniana citou o Corpo da Guarda Revolucionária afirmando que um superpetroleiro havia pegado fogo e parado completamente depois de ser atingido por duas minas navais no sul do Estreito de Ormuz. Posteriormente, os militares dos EUA classificaram a alegação como falsa.
Presidente diz que Irã ainda quer fim negociado para o conflito
A fonte iraniana de alto escalão, que tem conhecimento direto das decisões do governo e falou à Reuters sob condição de anonimato, afirmou que as condições no Estreito de Ormuz “ficarão piores para as embarcações que violarem” as regras estabelecidas por Teerã para a passagem pela via marítima.
A fonte acrescentou que nenhum alvo estaria fora do alcance do Irã.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, adotou um tom mais moderado nesta segunda-feira. Durante uma reunião regional de segurança no Quirguistão, ele disse ao primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, que seu país ainda busca uma solução negociada para o conflito.
“... ainda estamos tentando chegar a um acordo e a um entendimento, e acreditamos que continuar a guerra não é do interesse de ninguém, nem nosso, nem da região, nem da humanidade”, afirmou, segundo a agência semioficial iraniana Tasnim.
“Explodida em pedacinhos!!!”
Trump havia irritado o Irã durante a madrugada ao publicar em sua plataforma Truth Social um vídeo gerado por inteligência artificial que, segundo ele, mostrava o centro de exportação de petróleo iraniano na ilha de Kharg sendo “explodido em pedacinhos!!!”.
Não havia evidências de que tal ataque tivesse ocorrido, e uma autoridade americana afirmou nesta segunda-feira que os militares não haviam atacado Kharg Island nas operações realizadas durante a madrugada. Uma autoridade iraniana classificou a publicação de Trump como “ridícula”.
A Reuters confirmou que o vídeo com explosões dramáticas provavelmente havia sido gerado artificialmente, utilizando um software capaz de detectar imagens manipuladas por inteligência artificial.
A Casa Branca e o Departamento de Defesa dos EUA não responderam aos pedidos de comentário da Reuters fora do horário comercial.
A ilha de Kharg era responsável por 90% das exportações de petróleo do Irã antes da guerra iniciada pelos ataques dos EUA e de Israel em 28 de fevereiro. Um ataque à ilha interromperia gravemente o comércio de energia e exerceria enorme pressão sobre a economia iraniana.
Trump ainda não alcançou os objetivos que estabeleceu no início da guerra: desmantelar o programa nuclear do Irã, limitar sua capacidade de atacar rivais regionais e criar condições para que os iranianos derrubem seus governantes religiosos.


