Trump diz que não suspenderá sanções do Irã em troca do urânio enriquecido

Presidente americano foi taxativo ao afirmar que país não receberá benefícios, reiterando postura em entrevista

Aileen Graef, da CNN
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O presidente Donald Trump afirmou que o Irã não receberá alívio nas sanções caso entregue seu estoque de urânio altamente enriquecido.

“Não, não, de jeito nenhum. Sem alívio de sanções, não”, disse Trump à PBS News em uma entrevista por telefone nesta quarta-feira (27), ao ser questionado se o atual acordo significaria que o Irã abriria mão de seu urânio altamente enriquecido em troca da retirada de sanções.

“Eles vão entregar o urânio altamente enriquecido deles, mas não em troca de alívio nas sanções. Não, não, de jeito nenhum”, acrescentou.

Programa nuclear do Irã é ponto-chave para acordo

Embora o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tenha apresentado várias justificativas para iniciar a guerra com o Irã, ele citou repetidamente o programa nuclear iraniano, que também tem sido um dos principais pontos de impasse nas negociações para encerrar o conflito.

Washington estava em negociações com Teerã sobre o programa nuclear antes de os Estados Unidos e Israel atacarem o Irã. Trump estava determinado a garantir que o Irã “nunca tivesse uma arma nuclear”, apesar das insistências iranianas de que não buscava esse objetivo.

Um relatório do CRS (Serviço de Pesquisa do Congresso dos EUA) sobre o Irã e armas nucleares afirma que existem preocupações sobre o enriquecimento de urânio iraniano desde o início dos anos 2000.

Em 2015, Teerã assinou o Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA, na sigla em inglês), que limitava o enriquecimento de urânio por 15 anos e facilitava inspeções lideradas pela ONU para garantir o cumprimento do acordo.

Trump abandonou o JCPOA em 2018, durante seu primeiro mandato.

Uma avaliação dos EUA sobre a capacidade nuclear do Irã, publicada em 2024, afirmou que, embora “o Irã não estava construindo uma arma nuclear”, o país havia “realizado atividades que o colocavam em melhor posição para produzir uma, caso decidisse fazê-lo”.

Poucos dias após os ataques dos EUA e de Israel contra o Irã, o diretor da agência nuclear da ONU, Rafael Grossi, disse à CNN que Teerã não estava a dias ou semanas de obter uma arma nuclear.

Havia “muitos elementos” no Irã que eram “motivo de séria preocupação”, afirmou Grossi, incluindo o “acúmulo injustificado de enormes quantidades de material quase de nível militar” e a “falta de transparência nas inspeções”.

Mas, apesar disso, “nunca tivemos informações indicando que existia um programa estruturado e sistemático para construir ou desenvolver uma arma nuclear”, disse ele.