Trump e Biden correm contra o tempo para conquistar eleitores na reta final

A data das eleições é terça-feira (3), mas o resultado do pleito pode sair bem depois disso por causa da contagem dos votos pelos correios

Donald Trump e Joe Biden durante o último debate antes da eleição presidencial dos Estados Unidos
Donald Trump e Joe Biden durante o último debate antes da eleição presidencial dos Estados Unidos Foto: Reprodução/CNN (22.out.2020)

Stephen Collinson,

da CNN

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O presidente Donald Trump e o ex-vice-presidente Joe Biden estão correndo contra o tempo para conquistar o voto dos americanos que ainda não votaram. Até o momento, mais de 91 milhões de pessoas já fizeram a sua escolha. A corrida eleitoral que começou meses antes da pandemia — e depois foi definida por ela — chega a suas horas finais.

O pleito termina na terça-feira (3), mas a contagem de votos pode se prolongar por dias, devido aos milhões de votos por correspondência. O que está em jogo é se os americanos vão manter Trump no poder ou se será a vez de Biden ocupar a Casa Branca. 

A decisão acontece em meio ao surto do novo coronavírus que tem provocado cerca de 1 mil mortes por dia. Em meio a pressões, o presidente Trump deu a entender, na noite de domingo (1), que poderia demitir o Dr. Anthony Fauci, após rejeitar as recomendações baseadas na ciência do admirado especialista em doenças infecciosas sobre a pandemia.

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Nesta segunda (2), Biden fará campanha em Ohio – uma adição tardia à sua lista de alvos – e na Pensilvânia, estado onde nasceu e que pode ser o ponto de inflexão para definir o ganhador.

Por sua vez, Trump fará uma viagem agitada a bordo do Força Aérea Um pela Carolina do Norte, Michigan, Wisconsin e Pensilvânia, em um último esforço para garantir a vitória em estados onde foi vencedor há quatro anos — e assim impedir a ida de Biden para a Casa Branca.

Biden argumenta que a negação e negligência de Trump em relação a uma pandemia que matou mais de 230.000 americanos e está piorando a cada dia deve impedir a reeleição do presidente.

“A verdade é que, para vencer o vírus, primeiro temos que vencer Donald Trump. Ele é o vírus”, disse Biden na Filadélfia no domingo.

Trajetória de Biden e Trump

O candidato democrata chega ao último dia de campanha com uma grande vantagem nas pesquisas e lidera em estados decisivos. “Estamos muito confiantes em nosso caminho para a vitória”, disse a assessora sênior de Biden, Anita Dunn, a Jake Tapper da CNN no domingo.

Biden espera que a vitória em estados como Arizona, Flórida, Geórgia ou Carolina do Norte envie um sinal na terça-feira à noite de que ele será o escolhido para ocupar a Casa Branca.

Trump também tem uma chance clara, embora menor, de alcançar os 270 votos necessários nos colégios eleitorais. Isso depende dele ganhar nos mesmos campos de batalha de quatro anos atrás. 

Trump engana sobre o vírus e lança sombra sobre a noite da eleição

O presidente redirecionou a responsabilidade pelo aumento dos casos de Covid-19: culpou os médicos de inflar o número de mortos. Também alegou que Biden faria novos lockdowns no país se saísse vitorioso.

Em um comício na Flórida na noite de domingo, os eleitores de Trump começaram a gritar “Demita o Fauci” quando o presidente reclamou que todos ouviram falar demais sobre a pandemia. “Não contem a ninguém, mas deixe-me esperar um pouco depois da eleição”, disse o presidente.

Fauci é diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas desde 1984. Ele é respeitado em todo o mundo e desempenhou um papel importante na luta contra HIV / AIDS e  Ebola. Em entrevista ao Washington Post publicada no sábado, Fauci disse que os EUA “não poderiam estar mais mal-preparados” para o temido pico do inverno, contradizendo as afirmações de Trump de que a doença desaparecerá em breve.

Trump começou o domingo em Michigan, antes de viajar por Iowa, Carolina do Norte, Geórgia e a amena Flórida. Ele novamente alegou que os EUA estão “dando a volta” na luta contra o vírus e que as vacinas que ele esperava lançar antes das eleições estavam “bem ali”.

Mas um ar de mau presságio paira sobre uma das eleições mais surreais da história moderna dos Estados Unidos. Relatos de atrasos na entrega de votos por correspondência em vários estados aumentaram a ansiedade sobre a possibilidade de duelos jurídicos prolongados entre as campanhas no caso de uma eleição acirrada.

O tempo adicional e a complicação de uma grande quantidade de cédulas pelos correios podem oferecer ao presidente margem para lançar novas dúvidas sobre a integridade da eleição que, segundo ele, só será justa se ele emergir como o vencedor.

No Texas, a Suprema Corte estadual negou uma petição de um grupo de republicanos que buscava invalidar cerca de 127 mil cédulas em unidades drive-thru no condado de Harris, uma área fortemente democrata que circunda Houston. Os republicanos também entraram com um processo no tribunal federal, que tem uma audiência de emergência nesta manhã em Houston.

Enquanto isso, o FBI abriu uma investigação sobre uma caravana de veículos dirigidos por apoiadores de Trump que supostamente assediavam um ônibus de campanha Biden-Harris no Texas.

E o presidente aumentou os temores de uma eleição contestada, lançando novamente suspeitas sobre a prática perfeitamente normal de contagens de votos continuando após a noite da eleição – uma ocorrência provável este ano, já que alguns estados não podem nem mesmo começar a contar a torrente de cédulas pelos correios até o dia da eleição.

 

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