Trump exclui África do Sul do G20 em 2026 e interrompe envio de ajuda

Presidente dos EUA cita alegações de "genocídio" contra fazendeiros brancos como justificativa

Mariana Catacci, da CNN Brasil
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O presidente americano, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (26), que os Estados Unidos não convidarão a África do Sul para a próxima cúpula do G20, em 2026, e vão interromper todo o envio de subsídios ao país.

O presidente disse na rede social Truth Social que os EUA não participaram da cúpula de 2025 --  que aconteceu em Joanesburgo, no último final de semana -- porque "o governo sul-africano se recusa a reconhecer ou abordar os horríveis abusos dos direitos humanos sofridos pelos Africâneres e outros descendentes de colonos holandeses, franceses e alemães".

Pela mesma razão, Trump ordenou que os Estados Unidos não convidem a África do Sul para a reunião que acontecerá em Miami, na Flórida, em dezembro do ano que vem. O presidente também anunciou que o governo americano vai interromper imediatamente o envio de pagamentos e subsídios ao país africano.

Após o anúncio, o gabinete do presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, emitiu uma nota chamando a decisão de "lamentável" e reforçou que a cúpula de 2025 em Joanesburgo foi elogiada por todos os participantes como uma das mais bem-sucedidas.

"Como membro fundador, a África do Sul sempre valorizou o espírito de consenso, colaboração e parceria que define o G20 como o principal fórum para a cooperação econômica internacional. De acordo com esta abordagem, esperava-se que os Estados Unidos participassem em todas as reuniões do G20 durante a Presidência da África do Sul", disse o comunicado.

A África do Sul também disse que continuará participando como membro pleno do G20 e pediu que outros países reafirmem o espírito do multilateralismo.

"É lamentável que, apesar dos esforços e das numerosas tentativas do presidente Ramaphosa e da sua administração para restabelecer a relação diplomática com os EUA, o presidente Trump continue a aplicar medidas punitivas contra a África do Sul com base em desinformação e distorções sobre o nosso país", afirmou o gabinete da presidência sul-africana.

Sobre o anúncio de que os EUA vão interromper o envio de subsídios à África do Sul, ainda não está claro exatamente a quais pagamentos o presidente americano se referia, já que em fevereiro de 2025 Trump já havia anunciado uma medida similar.

No início do ano, a Casa Branca havia informado que Trump assinou um decreto cortando a assistência financeira à África do Sul "até novo aviso". A justificativa, na época, era de que o governo sul-africano mantinha leis de terras discriminatórias contra os fazendeiros brancos. O governo dos EUA também citou a acusação de genocídio da África do Sul contra Israel na Corte Internacional de Justiça como razão para interromper o financiamento.

A Casa Branca não detalhou quais pagamentos serão afetados com anúncio de Trump desta quarta-feira.

Constrangimento na Casa Branca

Trump e Ramaphosa protagonizaram um momento de constrangimento em maio deste ano durante uma visita do líder sul-africano à Casa Branca. Na ocasião, Trump exibiu um vídeo que mostrava o suposto "genocídio" de fazendeiros brancos na África do Sul.

O presidente americano alegou que as imagens retratavam corpos de supostos africâneres sendo carregados. Poucas horas depois, foi revelado que o vídeo era, na verdade, de um conflito na República Democrática do Congo e não tinha qualquer relação com a África do Sul.

Durante o encontro, Ramaphosa disse que as acusações de Trump eram infundadas e negou que haja genocídio contra brancos. Segundo o presidente sul-africano, a maioria das vítimas de violência no país são, na verdade, negras.