Trump indica que prazo para Irã reabrir Estreito de Ormuz é flexível
Presidente deu prazo para que Irã libere rota marítima, mas país persa não deu sugestões de que acatará pedido
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que está analisando, mas ainda não tem certeza se manterá o prazo para essa sexta-feira (27) para que o Irã reabra o Estreito de Ormuz.
"Ainda não sei. Não sei. Witkoff, JD e o Jared me dirão se acham que as negociações estão indo bem e, se não estiverem, talvez não", disse Trump, referindo-se ao vice-presidente JD Vance, ao enviado especial Steve Witkoff e ao seu genro Jared Kushner, responsáveis pelas negociações.
O prazo original dado por Trump expirou na segunda-feira, mas o presidente americano ofereceu uma prorrogação até sexta-feira em meio a discussões diplomáticas.
Trump disse que até lá, ainda há bastante tempo.
“Temos muito tempo, sabe? É um dia no ‘tempo Trump’. Um dia... sabe o que é? É uma eternidade”, disse ele.
Baixa disposição para acordo
Também na mesma reunião de gabinete desta quinta-feira (26), o presidente Donald Trump lançou dúvidas sobre a possibilidade de um acordo de paz com o Irã. O republicano alertou que pode desistir de buscar um pacto em breve.
"Eles estão implorando para chegar a um acordo", disse Trump. "Não sei se seremos capazes de fazer isso. Não sei se estamos dispostos a fazer isso."
No início de uma reunião de gabinete na Casa Branca, Trump criticou duramente as notícias de que estaria ansioso por uma solução diplomática para a guerra, insistindo que foram os líderes iranianos que buscaram retomar as negociações.
"Eles não são tolos. Na verdade, são muito inteligentes, de certa forma", disse Trump, caracterizando os iranianos como "grandes negociadores".
Mas Trump sugeriu que agora pode ser tarde demais para chegar a um acordo. "Eles deveriam ter feito isso há quatro semanas", disse Trump.
O que está acontecendo no Oriente Médio?
Os Estados Unidos e Israel estão em guerra com o Irã. O conflito teve início no dia 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado entre os dois países matou o líder supremo do país, Ali Khamenei, em Teerã.
Diversas autoridades do alto escalão do regime iraniano também foram mortas. Além disso, os EUA alegam ter destruído dezenas de navios do país, assim como sistemas de defesa aérea, aviões e outros alvos militares.
Em retaliação, o regime dos aiatolás fez ataques contra diversos países da região, como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã. As autoridades iranianas dizem que têm como alvo apenas interesses dos Estados Unidos e de Israel nessas nações.
Mais de 1.750 civis morreram no Irã desde o início da guerra, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, que tem sede nos EUA. A Casa Branca, por sua vez, registrou ao menos 13 mortes de soldados americanos em relação direta aos ataques iranianos.
O conflito também se expandiu para o Líbano. O Hezbollah, um grupo armado apoiado pelo Irã, atacou o território israelense em retaliação à morte de Ali Khamenei. Com isso, Israel tem realizado ofensivas aéreas contra o que diz ser alvo do Hezbollah no país vizinho. Centenas de pessoas morreram no território libanês desde então.
Com a morte de grande parte de sua liderança, um conselho do Irã elegeu um novo líder supremo: Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei. Especialistas apontam que ele não fará mudanças estruturais e representa continuidade da repressão.
Donald Trump mostrou descontentamento com essa escolha, a classificando como um "grande erro". Ele havia dito que precisaria estar envolvido no processo e pontuou que Mojtaba seria "inaceitável" para a liderança do Irã.


