Trump indica que Zelensky não deve participar de reunião com Putin

Governos europeus articulam pela inclusão de ucraniano em encontro no Alasca, na próxima sexta-feira (15)

Kit Maher, da CNN, Washington
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O presidente Donald Trump disse nesta segunda-feira (11) que o presidente ucraniano Zelensky "poderia" comparecer à cúpula com o líder russo Vladimir Putin no Alasca na sexta-feira (15), mas expressou ceticismo de que isso faria diferença para que se feche um acordo de paz.

"Ele [Zelensky] não faz parte. Eu diria que ele poderia ir, mas já esteve em muitas reuniões. Sabe, ele está lá há três anos e meio. Nada aconteceu", disse Trump a repórteres na Casa Branca.

"Teremos uma reunião com Vladimir Putin e, ao final dessa reunião, provavelmente nos primeiros dois minutos, saberei exatamente se um acordo pode ser fechado ou não", disse Trump.

"Como vocês vão saber disso?", questionou um repórter.

"Porque é isso que eu faço. Eu faço acordos", disse Trump.

O presidente acrescentou posteriormente que uma reunião entre Putin e Zelensky seria necessária.

"No final das contas, vou colocar os dois [Putin e Zelensky] em uma sala. Estarei lá, ou não estarei, e acho que isso será resolvido", disse Trump.

O presidente disse que "pode haver muitas definições" de um bom acordo, mas também pareceu reduzir as expectativas antes da cúpula de sexta-feira (15).

"Espero ter uma reunião com Putin boa, mas pode ser ruim", disse Trump.

Discussão sobre territórios da guerra

Donald Trump, também afirmou nesta segunda-feira (11) que tanto a Ucrânia quanto a Rússia teriam que ceder terras uma à outra para acabar com a guerra.

"Portanto, vou falar com Vladimir Putin e vou lhe dizer: vocês precisam acabar com essa guerra. Vocês precisam acabar com ela [guerra]", disse Trump a jornalistas.

No passado, Trump já havia mencionado a troca de terras, mas nem a Rússia nem a Ucrânia mostraram interesse em ceder território por um acordo de paz. Europeus temem que grandes concessões à Rússia possam criar problemas de segurança para o Ocidente no futuro.

Entenda a guerra na Ucrânia

A Rússia iniciou a invasão em larga escala da Ucrânia em fevereiro de 2022 e detém atualmente cerca de um quinto do território do país vizinho.

Ainda em 2022, o presidente russo, Vladimir Putin, decretou a anexação de quatro regiões ucranianas: Donetsk, Luhansk, Kherson e Zaporizhzhia.

Os russos avançam lentamente pelo leste e Moscou não dá sinais de abandonar seus principais objetivos de guerra. Enquanto isso, Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, pressiona por um acordo de paz.

A Ucrânia tem realizado ataques cada vez mais ousados dentro da Rússia e diz que as operações visam destruir infraestrutura essencial do Exército russo.

O governo de Putin, por sua vez, intensificou os ataques aéreos, incluindo ofensivas com drones.

Os dois lados negam ter como alvo civis, mas milhares morreram no conflito, a grande maioria deles ucranianos.

Acredita-se também que milhares de soldados morreram na linha de frente, mas nenhum dos lados divulga números de baixas militares.

Os Estados Unidos afirmam que 1,2 milhão de pessoas ficaram feridas ou mortas na guerra.