Trump mantém elogios a Putin e chama presidente ucraniano de “corajoso”

Desde que tropas russas invadiram Ucrânia, ex-presidente americano elogiou Putin repetidamente, chamando-o de “gênio” e “habilidoso”

Trump disse que a Rússia nunca teria invadido a Ucrânia se ele ainda fosse presidente
Trump disse que a Rússia nunca teria invadido a Ucrânia se ele ainda fosse presidente Getty Images

Gabby OrrSara MurraySteve Contornoda CNN

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O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu seu elogio ao presidente russo, Vladimir Putin, no sábado (26), e também chamou o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, de “um homem corajoso” em meio à invasão mortal de seu país pela Rússia.

“Ele é um homem corajoso, está aguentando firme”, disse Trump sobre Zelensky, em comentários na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC, na sigla em inglês), mesmo quando se recusou a desistir de elogiar Putin como “inteligente”.

“O problema não é que Putin seja inteligente, o que, claro, ele é inteligente”, disse Trump. “O problema é que nossos líderes são burros […] e até agora, eles o deixaram escapar com essa farsa e ataque à humanidade”.

“Putin está tocando [o presidente Joe] Biden como um tambor e não é uma coisa bonita de se ver”, continuou ele.

Trump elogiou repetidamente Putin desde que as tropas russas invadiram a Ucrânia e começaram a lançar ataques com foguetes contra a capital do país, Kiev.

Seus comentários sobre Zelensky vêm dias depois de ele elogiar Putin, chamando o líder do Kremlin de “gênio” e “habilidoso” em uma entrevista de rádio.

Esses comentários foram os mais recentes em muitos casos em que o ex-presidente dos EUA aprovou ou admirou governantes autoritários.

Além de Putin, Trump já fez comentários positivos sobre o ditador norte-coreano Kim Jong Un e o presidente chinês Xi Jinping.

Mas outros republicanos evitaram admirar o líder do Kremlin. Em aparições consecutivas no CPAC, potenciais candidatos à presidência republicana ecoaram as críticas de Trump ao governo Biden, mas não chegaram a parabenizar Putin como o ex-presidente fez.

Embora Trump tenha moderado seus elogios ao líder do Kremlin com fortes condenações à decisão de Putin de “atacar impiedosamente” a Ucrânia, ele guardou suas críticas mais fortes a Biden e aos democratas eleitos.

“O ataque russo à Ucrânia é terrível. É um ultraje e uma atrocidade que nunca deveria ter acontecido”, disse Trump no comício conservador em Orlando.

“Não tenho dúvidas de que o presidente Putin tomou sua decisão […] somente depois de ver a patética retirada do Afeganistão”.

Treze militares americanos foram mortos em um ataque a bomba no aeroporto de Cabul durante a retirada do país feita pelo governo Biden no verão do Afeganistão, que desde então a nação ficou sob controle do Talibã.

O ex-presidente, que foi indiciado pela primeira vez durante sua presidência depois de usar a assistência de segurança à Ucrânia como isca para pressionar as autoridades do país a investigar seu rival político, também tentou levar o crédito por armar a Ucrânia nas suas declarações de sábado.

“Eu dei à Ucrânia os lança-foguetes de que todo mundo está falando agora e milhões de dólares em outros equipamentos militares. O governo Obama lhes deu cobertores”, disse Trump.

Trump disse que a Rússia nunca teria invadido a Ucrânia se ele ainda fosse presidente e alegou falsamente que a eleição de 2020 havia sido roubada.

“Sob Biden, a Rússia invadiu a Ucrânia. Sou o único presidente do século 21 cujo mandato a Rússia não invadiu outro país”, disse Trump, descrevendo a percepção global dos Estados Unidos durante sua presidência como “poderosa, astuta e inteligente”.

“Sob nosso governo, a Rússia respeitou os Estados Unidos”, disse ele à multidão.

Apesar de Biden adotar rotineiramente novas sanções contra a Rússia durante seu mandato, Trump alegou que o governo Biden estava deixando Putin ir “sem repercussões nenhuma”, respondendo à sua invasão em larga escala da Ucrânia com um embargo de exportação e novas sanções aos bancos russos e oligarcas.

Biden anunciou uma nova rodada de sanções na quinta-feira (24), depois que Putin ordenou que tropas russas entrassem na Ucrânia.

“Putin está dizendo, ‘me sancionar?’ Bem, fui sancionado nos últimos 25 anos”, disse Trump, chamando a resposta de Biden no início desta semana de “declaração bastante fraca”.

Outros republicanos que subiram ao palco do CPAC nesta semana também encorajaram o governo Biden a tomar medidas mais enérgicas para reprimir Putin, embora se recusassem a usar a mesma retórica positiva sobre o líder da Rússia usada por Trump com tanta frequência.

“Um presidente americano forte trabalharia com parceiros europeus para substituir seus suprimentos de petróleo russos por energia americana, e eles atingiriam Putin onde realmente dói: no setor energético russo.

Se Joe Biden não pode ou não quer fazer essas coisas, então ele deve renunciar”, disse a governadora do estado da Dakota do Sul, Kristi Noem, em um discurso na sexta-feira (25).

Trump também usou sua aparição no sábado para voltar a litigar brevemente seu primeiro julgamento de impeachment de 2019, que ocorreu depois que ele usou a assistência de segurança para a Ucrânia como isca para pressionar as autoridades do país, incluindo Zelensky, a investigarem seus rivais políticos.

“Isso foi realmente uma farsa”, disse Trump sobre o processo de impeachment.

E ele deu a entender fortemente que pretende concorrer à Casa Branca novamente em 2024, dizendo à multidão de Orlando que os eleitores mostrarão ao país que o “gigante adormecido” acordou “a partir de 8 de novembro e depois de novo e ainda mais em novembro de 2024”.

“Fizemos duas vezes e faremos de novo”, disse Trump.

Trump ainda não anunciou formalmente suas intenções para uma futura candidatura presidencial, mas continua tomando medidas que sugerem que está se preparando para uma revanche com Biden. Trump fez um comentário semelhante no CPAC no ano passado, logo após perder para seu oponente democrata.

Este conteúdo foi criado originalmente em espanhol.

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