Trump promete punir países que apoiem o Irã; negociações seguem estagnadas
Um dia após pedir a suspensão das conversas, presidente americano anunciou a medida econômica "mais devastadora" já imposta por Washington; Teerã diz que ação é manobra para desviar a atenção dos problemas econômicos americanos

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou na quarta-feira (19) que pretende adotar a medida econômica "mais devastadora" já imposta por Washington contra o Irã.
Em publicação na rede social Truth Social, Trump afirmou que o Irã "falhou" em aproveitar as oportunidades para chegar a um acordo com os Estados Unidos. O presidente também ameaçou países que ofereçam qualquer tipo de apoio a Teerã.
Segundo o presidente americano, instituições financeiras, empresas, aeroportos ou órgãos governamentais de qualquer país que ajudem o Irã estarão sujeitos a "consequências econômicas tremendas".
Trump não detalhou quais medidas pretende adotar nem citou países específicos.
Na publicação, ele classificou a iniciativa como um "dia D econômico" e pediu que países aliados se unam aos Estados Unidos para isolar o que chamou de "ameaça iraniana".
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse nesta quinta-feira (20) que o "Dia D econômico" dos EUA contra o Irã é uma manobra para desviar a atenção dos problemas econômicos americanos e alertou que novas pressões não terão sucesso.
The so-called “Economic D-Day” is a diversion from America's own crisis: unprecedented debt & surging interest costs.
Doubling down on failed policies will only bring further defeat—and enmity of Iranians. US economic terrorism threatens global economy and sovereignty worldwide pic.twitter.com/Qj5SzVBjvX
— Seyed Abbas Araghchi (@araghchi) August 20, 2026
"O chamado “Dia D Econômico” é uma cortina de fumaça para a própria crise da América: dívida sem precedentes e custos de juros em disparada. Dobrar a aposta em políticas fracassadas só trará mais derrotas — e a inimizade dos iranianos. O terrorismo econômico dos EUA ameaça a economia global e a soberania em todo o mundo.", escreveu o porta-voz iraniano.
Negociações suspensas
O anúncio ocorre um dia após Trump ordenar que sua equipe de negociação suspendesse os contatos com o Irã. ,
Segundo uma autoridade americana, o presidente ficou frustrado com a resistência de Teerã em aceitar suas exigências e determinou que as conversas só sejam retomadas caso os iranianos demonstrem disposição para chegar ao acordo defendido por Washington.
A equipe americana inclui o vice-presidente americano, JD Vance, o enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner, genro de Trump.
Teerã, por sua vez, nega que esteja mantendo um diálogo direto com Washington.
O assessor do líder supremo iraniano, Mohammad Mokhber, afirmou que o país continua aberto ao diálogo, mas não confunde negociação com rendição. Segundo ele, a pressão militar e as sanções não vão abalar a determinação iraniana.
Situação em Ormuz
Enquanto as negociações permanecem estagnadas, o Estreito de Ormuz continua sendo um dos principais pontos de tensão entre os dois países.
Trump voltou a afirmar que os Estados Unidos estão na "posse" e no "controle total" da via marítima. O presidente também disse que "muitas embarcações" estão passando pelo estreito e classificou o bloqueio naval americano como "extremamente eficaz".
Dados da MarineTraffic indicam que pelo menos seis embarcações passaram pelo Estreito de Ormuz nas 24 horas anteriores.
Segundo informações do site de notícias Axios, os Estados Unidos também criaram discretamente um corredor marítimo para permitir o transporte de petróleo pela região.
A operação estaria em funcionamento há semanas e possibilitaria a retirada de até 10 milhões de barris de petróleo por dia do estreito e sua entrada no mercado global, cerca de metade do volume registrado antes da guerra.
Em algumas noites, o fluxo teria chegado a entre 15 milhões e 20 milhões de barris por dia, segundo autoridades americanas ouvidas pelo site.
A operação envolve a escolta de petroleiros vazios para dentro do Golfo Pérsico, onde eles são abastecidos antes de deixar a região. Aliados dos EUA colaborariam fornecendo listas das embarcações.
Antes da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, o Estreito de Ormuz era responsável pelo transporte de aproximadamente um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos no mundo.
(Com informações de Elise Hammond, da CNN)


