Trump reforça campanha no Texas diante de avanço democrata no estado

Republicanos tentam manter o controle do Senado em uma disputa no estado que pode definir a maioria no Congresso em 2027; candidato democrata outsider avança nas pesquisas

Betsy Klein, da CNN
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O presidente Donald Trump fez sua terceira viagem ao Texas em menos de um mês para fazer campanha por um candidato ao Senado que questionou, em privado, seu capital político e a quem o presidente já insultou publicamente.

A visita ocorre na reta final para as Eleições de Meio de Mandato de 3 de novembro, enquanto o Partido Republicano enfrenta uma batalha cada vez mais difícil para manter o controle do Senado. O caminho para a maioria passa pelo Texas.

Os republicanos estão investindo milhões de dólares para fortalecer o procurador-geral do estado, Ken Paxton, que, segundo as pesquisas, enfrenta uma disputa mais acirrada do que o esperado contra o democrata James Talarico. Trump venceu o Texas por mais de 13 pontos percentuais em 2024, e nenhum democrata é eleito para um cargo estadual no estado desde 1994.

A aparição de Trump na quarta-feira (7), em San Antonio, será observada de perto nos próximos dias, segundo um estrategista republicano do Texas, para avaliar se o presidente consegue melhorar a posição de Paxton — o que pode determinar a continuidade dos investimentos no estado.

A mais recente viagem de Trump ao Texas, menos de uma semana após sua última passagem pelo estado, faz parte de uma agressiva maratona de viagens durante as Eleições de Meio de Mandato. O presidente esteve em redutos tradicionalmente republicanos que venceu com folga dois anos atrás, incluindo Alabama, Oklahoma e Nebraska.

Trump repetidamente pediu às multidões em seus comícios que “fingissem” que ele estava na cédula neste outono. Seus assessores acreditam que a melhor esperança para novembro é aumentar a participação de sua base eleitoral.

Mas alguns republicanos, mesmo nesses estados fortemente conservadores, estão buscando distância do presidente. O governador do Texas, Greg Abbott, não estará no comício de Trump na noite de quarta-feira, alegando conflitos de agenda. Ele também não compareceu à aparição do presidente no estado na semana passada.

“Está bastante claro para mim que a equipe de Paxton fez o cálculo de que acredita que vale absolutamente a pena”, disse o estrategista republicano do Texas.

Paxton culpa agenda de Trump por dificuldades

Enquanto Trump chegava ao Texas na quarta-feira, Paxton também ganhou destaque na imprensa por aparentemente culpar o presidente e parte de sua agenda pelas dificuldades de sua campanha.

O candidato republicano disse a um grupo de doadores e lobistas no mês passado que a guerra com o Irã e os altos preços da gasolina estão prejudicando sua campanha, de acordo com um áudio obtido pelo Axios na quarta-feira.

“Eu não tomo as decisões, e eu não... sei o que está por trás de algumas das decisões”, disse Paxton, segundo o Axios. A CNN não verificou o áudio de forma independente.

A campanha de Paxton rejeitou a reportagem.

Os comentários de Paxton relatados ressaltam como a impopularidade do presidente — seu índice de aprovação é de 34% na mais recente pesquisa de pesquisas da CNN — pode torná-lo um convidado indesejado para alguns candidatos.

Trump também está perdendo apoio entre um grupo que ajudou a impulsioná-lo à vitória em 2024. Seu índice de aprovação entre eleitores latinos era de apenas 27%, de acordo com uma pesquisa NBC News/Telemundo divulgada no início desta semana.

Um teste do poder de Trump em uma disputa cara

A corrida ao Senado — e as primárias e o segundo turno republicano que a antecederam — já está a caminho de se tornar uma das mais caras do país.

Estima-se que os gastos alinhados ao Partido Republicano no Texas ultrapassem US$ 300 milhões, com o partido e seus grupos afiliados gastando mais de cinco vezes o valor desembolsado pelos democratas, conforme a CNN noticiou anteriormente.

Desde o fim do segundo turno republicano, no fim de maio, os republicanos gastaram US$ 158 milhões em anúncios, com outros US$ 38 milhões em reservas para futuras campanhas publicitárias, de acordo com a empresa de monitoramento de publicidade AdImpact.

Os democratas, por sua vez, gastaram cerca de metade disso: US$ 75 milhões em anúncios entre o fim de maio e terça-feira (6), com US$ 6 milhões reservados.

Mas esse nível de gastos no Texas, um estado solidamente republicano, traz consequências para o restante do mapa do Senado.

“Muitos de nós estamos muito desapontados porque nossas previsões se provaram corretas, e vai custar entre US$ 100 milhões e US$ 200 milhões para salvar Ken Paxton como candidato republicano ao Senado”, disse um estrategista republicano do Texas que havia levantado preocupações sobre Paxton durante as primárias estaduais.

“Se salvarmos Ken e perdermos a maioria no Senado porque perdemos Alasca, Maine, Carolina do Norte, Iowa e Ohio, as críticas pós-derrota vão ser bíblicas”, acrescentou.

O Texas, porém, já teve disputas acirradas pelo Senado, com as esperanças dos democratas frustradas nas urnas.

Oito anos atrás, Trump foi um cabo eleitoral fundamental para Ted Cruz quando o senador enfrentou o então ascendente astro democrata Beto O'Rourke. Cruz, sem o peso do histórico pessoal que Paxton carrega neste ano, venceu a disputa por apenas 2,6 pontos percentuais.

Isso gerou um debate sobre quanto da disputa acirrada deste ano reflete o confronto entre os candidatos e quanto é resultado do ambiente nacional e da impopularidade de Trump.

“Se Paxton fosse uma pessoa normal, ele provavelmente ainda conseguiria vencer por pouco. Quer dizer, o estado ainda é estruturalmente conservador”, disse um operador republicano baseado em Washington.

As apostas na corrida deste ano podem ser maiores do que apenas o controle do Senado em 2027. O resultado pode ter ramificações para 2028 e além.

O operador político republicano do Texas comparou uma possível vitória de Talarico a um “buraco na barragem” que poderia dar aos democratas o impulso necessário para tornar o estado azul no nível presidencial.

Paxton parece reconhecer o que está em jogo.

“Se perdermos o Texas, perdemos a América”, disse ele em uma publicação nas redes sociais anunciando o comício de quarta-feira (7).

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