Trump suspende sanções relacionadas à Rússia antes de entrarem em vigor

"Lei Graham" previa tarifas contra países que tivessem adquirido petróleo ou gás russo; presidente americano afirmou que nova medida "atende aos interesses nacionais dos EUA"

Kanishka Singh e Jasper Ward, da Reuters

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (16) que está suspendendo diversas sanções, restrições e tarifas, poucos dias antes de entrarem em vigor conforme uma lei que ele sancionou no mês passado.

A ordem executiva de Trump surge em um momento em que ele tem demonstrado uma postura mais favorável à Rússia e criticado publicamente o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy — chegando a sugerir que a Ucrânia precisa de um novo líder.

A legislação, cujo principal defensor no Congresso foi o falecido senador Lindsey Graham, previa a imposição de tarifas de até 100% — no prazo de 30 dias — sobre todos os produtos importados pelos EUA provenientes dos cinco maiores compradores de petróleo bruto ou gás russo.

A medida também se aplicaria a qualquer país que, 30 dias após a promulgação da lei, tivesse adquirido petróleo ou gás russo de forma deliberada, ou que estivesse entre os cinco principais países que ajudam a Rússia a burlar as sanções.

Zelensky condenou a suspensão, que ocorreu no momento em que a Rússia realizava o que ele disse ser um dos maiores ataques à energia ucraniana.

“Numa altura em que os russos levaram a cabo um ataque tão massivo ao nosso setor energético, infelizmente foi tomada uma decisão na América de ignorar completamente a Lei Lindsey Graham, que deveria impor uma pressão verdadeiramente eficaz sobre a Rússia para pôr fim a esta guerra”, disse ele.

“Esta lei poderia ter ajudado imensamente – e ainda pode! Mas é preciso que ela realmente funcione, e cada voz em seu apoio faz diferença.”

Trump sancionou a "Lei Lindsey O. Graham de Sanções contra a Rússia e o Irã de 2026" em meados de setembro.

"Submeti ao Congresso uma certificação de que a concessão de tal isenção, neste momento, atende aos interesses nacionais dos Estados Unidos", declarou Trump na ordem divulgada pela Casa Branca na sexta-feira.

Na Rússia, Kirill Dmitriev, chefe do fundo soberano do país, celebrou a isenção em uma publicação no X, classificando-a como “um momento importante e verdadeiramente histórico”, e acrescentou que “a cooperação econômica entre a Rússia e os Estados Unidos atende aos interesses de ambas as nações”.

Legisladores dos EUA, no entanto, condenaram a dispensa. A senadora democrata Elizabeth Warren classificou a medida como um “fracasso de liderança abjeto e previsível”, citando o “forte apoio bipartidário” à Ucrânia.

O deputado republicano Don Bacon afirmou que Trump “está prolongando a guerra, não encerrando-a”.

Em uma publicação no X, Don Beyer, que representa a Virgínia na Câmara dos Representantes, afirmou: “A mais recente rendição de Trump a Putin trai, mais uma vez, nossos parceiros ucranianos e desafia a clara intenção do Congresso, expressa em uma legislação concebida para punir a Rússia por sua guerra de agressão ilegal”.

Já o senador Richard Blumenthal, que ajudou a redigir o projeto de lei, declarou no X: “Essas isenções não têm nada a ver com a nossa segurança nacional; têm tudo a ver com bajular Vladimir Putin”.

Países como a Índia, um dos maiores compradores de petróleo russo, manifestaram preocupações em relação a essa legislação de sanções contra a Rússia.