Trump vincula empréstimos a universidades à renda de formados
Nova regra exigirá que graduados tenham rendimento superior ao de pessoas com menor nível de escolaridade

O Departamento de Educação dos Estados Unidos informou na segunda-feira (29) que está finalizando novas regras para os empréstimos estudantis federais que vão vincular o acesso das instituições de ensino a esses recursos ao potencial de renda de seus graduados. A medida representa a mais recente pressão do governo do presidente Donald Trump sobre faculdades e universidades.
“Pelo novo Sistema de Mensalidades e Transparência Estudantil (STATS, na sigla em inglês) e pela regra de Responsabilização por Rendimentos, os cursos de graduação deverão demonstrar que seus formandos ganham mais do que um trabalhador típico com diploma de ensino médio, enquanto os programas de pós-graduação deverão comprovar que seus egressos recebem mais do que um trabalhador típico com diploma de bacharelado”, afirmou o Departamento de Educação em comunicado.
“Se um curso deixar de demonstrar ao menos esse retorno financeiro mínimo sobre o investimento para seus formandos em dois de três anos consecutivos de avaliação, perderá a elegibilidade para participar do programa federal de Empréstimos Diretos”, acrescentou.
O Departamento de Educação informou que a regra final será publicada em 1º de julho e que 2027 será o primeiro ano em que as instituições serão responsabilizadas pelo cumprimento dos limites mínimos de rendimento.
“Após três anos consecutivos de descumprimento do critério de ganho salarial, o Departamento também poderá retirar a elegibilidade aos benefícios do Título IV da Lei de Educação Superior (HEA, na sigla em inglês), incluindo o acesso às bolsas Pell, para todos os cursos da instituição com baixo desempenho em renda”, informou o órgão.
A conclusão das novas exigências para concessão de empréstimos foi noticiada anteriormente pelo The Wall Street Journal.
O presidente Donald Trump tem intensificado a pressão sobre importantes instituições de ensino e buscado congelar recursos federais destinados a universidades e faculdades por diversos motivos.
Entre eles estão os protestos pró-Palestina contra a ofensiva de Israel, aliado dos Estados Unidos, na Faixa de Gaza, além de políticas voltadas para pessoas transgênero, iniciativas climáticas e programas de diversidade.
Trump afirma, em especial, que os protestos pró-Palestina nas universidades foram antissemitas e deram apoio a grupos extremistas.
Manifestantes, incluindo alguns grupos judaicos, afirmam que o governo confunde, de forma equivocada, críticas à ofensiva de Israel em Gaza e à ocupação dos territórios palestinos com antissemitismo, assim como a defesa dos direitos dos palestinos com apoio ao extremismo.
Defensores dos direitos civis têm manifestado preocupação com a liberdade de expressão, a liberdade acadêmica e o devido processo legal, enquanto algumas universidades reduziram programas, impuseram restrições a manifestantes e demitiram funcionários. Em alguns casos, juízes determinaram que o governo Trump restabelecesse verbas federais que haviam sido congeladas para universidades.
Trump também promoveu um amplo enxugamento do Departamento de Educação, reduzindo seu quadro de funcionários e transferindo diversas de suas atribuições para outros órgãos do governo.


