Trump zomba da popularidade do nome Mohammad, comum no islamismo

Presidente americano fez comentário durante fala sobre presidência do Irã em comício eleitoral para as eleições de meio de mandato em Dalton, no estado americano da Georgia

Steve Holland e Kanishka Singh, da Reuters

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez uma piada sobre a popularidade do nome Mohammad no mundo muçulmano ao zombar da presidência do Irã durante um discurso de campanha na sexta-feira (16).

“Sabe, se você tiver dúvidas sobre o nome de alguém do Oriente Médio, basta dizer ‘Mohammad’”, disse Trump à multidão em Dalton, na Geórgia. “Você tem cerca de 65% de chance de acertar. ‘Olá, Mohammad.’ Faço isso há anos. Nunca errei.”

Mohammad é um dos nomes masculinos mais comuns entre os muçulmanos, que costumam dar aos filhos o nome do profeta Mohammad, fund

ador do Islã, conhecido como Maomé no Brasil.

Trump fez o comentário enquanto discutia o Irã durante um comício em um hangar no Aeroporto Municipal de Dalton, na Geórgia, onde fez campanha para candidatos republicanos antes das eleições de meio de mandato, ou Midterms, de 3 de novembro.

“O Irã é o único país onde ninguém quer ser presidente”, disse Trump, e então fingiu perguntar a várias pessoas chamadas Mohammad se elas queriam o cargo. Masoud Pezeshkian é presidente do Irã desde 2024.

Defensores dos direitos humanos e grupos de defesa dos muçulmanos têm criticado repetidamente Trump por uma retórica que, segundo eles, demoniza e ridiculariza muçulmanos, imigrantes e minorias étnicas.

Ele intensificou essa retórica durante a campanha para as eleições de meio de mandato, chamadas de Midterms, particularmente contra somalis e muçulmanos norte-americanos, incluindo o candidato democrata muçulmano ao Senado dos EUA, Abdul El-Sayed, e a deputada Ilhan Omar, uma democrata de Minnesota que chegou ao país como refugiada somali.

Trump reiterou sua promessa de que o Irã nunca teria uma arma nuclear, sete meses depois que os Estados Unidos e Israel lançaram uma guerra contra Teerã com o objetivo, em parte, de paralisar seu programa nuclear.

Um relatório anual do Conselho de Relações Islâmico-Americanas, divulgado no início deste ano, atribuiu o aumento da islamofobia nos EUA, em parte, à repressão de Trump à imigração e aos protestos pró-palestinos durante seu segundo mandato.