Tufão Bavi atinge o leste da China e ameaça dias de chuvas intensas

Tempestade mais forte a alcançar o país neste ano provoca esvaziamento de áreas, alagamentos e interrupções no transporte em regiões costeiras

Da Reuters
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O tufão Bavi, a tempestade mais poderosa a atingir a China continental neste ano, levou fortes chuvas à costa leste do país neste domingo (12) e castigou cidades densamente povoadas com ventos violentos, colocando à prova a capacidade do país de lidar com eventos climáticos extremos.

Bavi havia enfraquecido para uma tempestade tropical na manhã de domingo, enquanto avançava pelo interior, mas meteorologistas alertaram que o sistema, com extensão comparável ao tamanho da França, poderia provocar chuvas prolongadas e generalizadas no leste e no norte da China nos próximos dias.

Quase 2 milhões de pessoas foram retiradas de áreas de risco antes da chegada de Bavi, principalmente na província de Zhejiang, um polo econômico e tecnológico da segunda maior economia do mundo.

Bavi atingiu a cidade costeira de Yuhuan, em Zhejiang, por volta das 23h20 de sábado, antes de tocar o solo novamente em Yueqing, parte da cidade de Wenzhou, por volta da meia-noite.

“Os ventos estavam muito fortes”, disse à Reuters o morador de Yueqing Li Liangxing. “Podíamos ouvir telhas e galhos de árvores caindo. É claro que ficamos assustados, mas moramos perto do mar, então estamos acostumados.”

Apontando para um canal alagado ao lado de seu condomínio residencial, Li disse que nunca havia visto a água chegar a uma altura tão grande.

“Havia uma passagem ali antes, mas agora está debaixo d’água.”

Mais de 1.300 árvores caíram em Yueqing, sendo que mais de 700 foram completamente arrancadas pela raiz, informou a emissora estatal CCTV. O ponto mais profundo de alagamento chegou aproximadamente à metade da altura de um pneu de veículo.

Equipes de emergência mobilizaram escavadeiras e motosserras neste domingo para limpar ruas tomadas pela água e espalhadas por árvores derrubadas.

Na região montanhosa ao norte da cidade, imagens exibidas pela CCTV mostraram um deslizamento de terra que lançou grandes pedras sobre uma estrada de montanha, enquanto rios cheios submergiam árvores próximas.

Em Kanmen, uma cidade pesqueira costeira de Yuhuan, o dono de uma loja de encomendas de 72 anos, Lin Yongjin, contabilizava os prejuízos causados por Bavi.

Sua loja, voltada para o mar, sofreu o impacto da tempestade. As estruturas metálicas que sustentavam a cobertura da entrada desabaram, e uma janela de um prédio vizinho foi destruída pelo vento. Lin estimou que o tufão causou mais de 6 mil yuans (US$ 885) em danos.

“Depois que chegou à costa, não havia nada que pudéssemos fazer. A água da chuva entrou na casa. Passamos a noite inteira lidando com isso e só conseguimos dormir depois das 5h da manhã”, disse.

Tendo enfrentado muitos tufões ao longo da vida, Lin afirmou que este foi diferente.

“Foi um tufão muito poderoso. Ele atingiu a costa exatamente aqui em Kanmen. Estávamos bem no caminho dele.”

Voos e trens interrompidos

Bavi passou pelo norte de Taiwan no sábado, levando ventos fortes e chuvas intensas para grande parte da ilha. A tempestade acumulou quase 80 centímetros de chuva em uma área do condado de Miaoli, no norte de Taiwan.

O departamento de bombeiros de Taiwan informou neste domingo que 134 pessoas ficaram feridas, principalmente por quedas de motocicletas, escorregões ou por serem atingidas por objetos. Não houve registro de mortes. O Ministério dos Transportes informou que 137 voos internacionais foram cancelados no domingo, além de 62 voos domésticos.

Os impactos também atingiram as redes de transporte da China. Na capital de Zhejiang, Hangzhou, duas grandes estações ferroviárias suspenderam todos os serviços, e 327 voos foram cancelados no Aeroporto Internacional de Xiaoshan.

Na vizinha Xangai, um total de 1.620 viagens de trem e 684 voos foram cancelados, informou o jornal estatal The Paper.

À medida que Bavi avança pelo território chinês, regiões próximas à sua trajetória podem receber várias centenas de milímetros de chuva em poucos dias, elevando o risco de enchentes, deslizamentos de terra e alagamentos urbanos, afirmou Benjamin Horton, reitor da Escola de Energia e Meio Ambiente da Universidade da Cidade de Hong Kong.

“Mesmo que a tempestade enfraqueça após tocar o solo, sua grande circulação pode continuar gerando condições meteorológicas destrutivas a centenas de quilômetros do ponto de entrada”, disse ele.

Cientistas alertaram que a China pode enfrentar mais eventos climáticos extremos neste ano devido à expectativa de surgimento do fenômeno climático El Niño, que pode elevar as temperaturas e deslocar as trajetórias dos tufões para oeste, em direção à costa chinesa.

“O rápido fortalecimento dos tufões reduz o tempo de preparação das comunidades e dos responsáveis pela gestão de emergências, tornando esses eventos particularmente desafiadores”, afirmou Horton.