Ucrânia ataca Rússia com drones e deixa ao menos 13 mortos

Bombardeios também atingiram alvos industriais; o número de vítimas representa e uma das maiores baixas entre civis no território russo em meses

Gleb Stolyarov, Andrew Osborn, Andrew Osborn e Sharon Singleton, da Reuters
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Pelo menos 13 pessoas morreram — incluindo uma criança — e 39 ficaram feridas em um ataque de drones ucranianos contra alvos industriais e civis na cidade de Nizhnekamsk, informaram as autoridades nesta segunda-feira (10); trata-se de uma das maiores baixas entre civis na Rússia em meses.

O ataque na região do Tartaristão, a cerca de 800 km a leste de Moscou, também atingiu uma grande refinaria de petróleo, segundo relatos da imprensa russa.

Investigadores russos informaram a abertura de um inquérito criminal sobre o episódio, que classificaram como um ataque terrorista; em comunicado, afirmaram que a Ucrânia atingiu áreas residenciais e que uma criança estava entre as vítimas civis mortas.

O chefe da região russa do Tartaristão, Rustam Minnikhanov, declarou um período de luto, informou Radmir Belyayev, prefeito de Nizhnekamsk, em um comunicado no Telegram.

A refinaria de petróleo da região, uma das mais avançadas tecnologicamente da Rússia, foi atingida no ataque, segundo a imprensa russa.

Em vídeos não verificados nas redes sociais, é possível ver fumaça subindo sobre o que parece ser uma refinaria de petróleo. A Reuters não conseguiu verificar as imagens de forma independente.

Não houve comentário imediato por parte da Ucrânia.

A refinaria TANECO, da Tatneft — que também foi alvo de ataques da Ucrânia no início de junho —, processou 17 milhões de toneladas de petróleo bruto em 2024, produzindo 2,7 milhões de toneladas de gasolina e 8,5 milhões de toneladas de diesel.

A Ucrânia intensificou os ataques a refinarias de petróleo russas nos últimos meses, em uma campanha que provocou escassez de combustível em muitas regiões da Rússia, embora as autoridades afirmem que a maioria desses problemas iniciais já tenha sido solucionada.

A Ucrânia afirma querer fazer com que a população russa comum sinta o custo da guerra travada pela Rússia. Moscou tem importado combustível do exterior para ajudar a reforçar o abastecimento.

No domingo, os dois lados acusaram-se mutuamente de ataques letais.

Três pessoas morreram e 37 ficaram feridas em um ataque russo à cidade de Kharkiv, no leste da Ucrânia, onde um prédio de apartamentos de vários andares foi atingido; enquanto isso, autoridades da cidade russa de Belgorod informaram que cinco pessoas morreram e 25 ficaram feridas em um ataque de drone ucraniano.

A Ucrânia e a Rússia afirmaram repetidamente que não têm como alvo a população civil.

Entenda a guerra na Ucrânia

A Rússia iniciou a invasão em larga escala da Ucrânia em fevereiro de 2022 e detém atualmente cerca de um quinto do território do país vizinho.

Ainda em 2022, o presidente russo, Vladimir Putin, decretou a anexação de quatro regiões ucranianas: Donetsk, Luhansk, Kherson e Zaporizhzhia.

Os russos avançam lentamente pelo leste e Moscou não dá sinais de abandonar seus principais objetivos de guerra. Enquanto isso, Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, pressiona por um acordo de paz.

A Ucrânia tem realizado ataques cada vez mais ousados dentro da Rússia e diz que as operações visam destruir infraestrutura essencial do Exército russo.

O governo de Putin, por sua vez, intensificou os ataques aéreos, incluindo ofensivas com drones.

Os dois lados negam ter como alvo civis, mas milhares morreram no conflito, a grande maioria deles ucranianos.

Acredita-se também que milhares de soldados morreram na linha de frente, mas nenhum dos lados divulga números de baixas militares.

Os Estados Unidos afirmam que 1,2 milhão de pessoas ficaram feridas ou mortas na guerra.