Ucrânia faz apelo por mais armas; Exército russo bombardeia Donbass

Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, autorizou um novo pacote de armas, no valor de 400 milhões de dólares, ao país

Por Pavel Polityuk, da Reuters
Compartilhar matéria

A Ucrânia fez um apelo aos aliados, nesta sexta-feira (8), para que enviem mais armas ao país enquanto suas forças se empenhando para desacelerar o avanço militar da Rússia pela região de Donbass, no leste, enquanto Moscou alertou as nações ocidentais sobre as consequências de suas represálias à invasão.

Sinalizando que o Kremlin não está em clima de concessões, o presidente russo, Vladimir Putin, disse que o uso contínuo de sanções contra a Rússia pode provocar um aumento “catastrófico” ao preço da energia.

O principal diplomata da Rússia, o chanceler Sergei Lavrov, entrou em conflito com seus correspondentes ocidentais em uma reunião do G20, na qual eles cobraram que a Rússia permitisse que Kiev despachasse grãos ucranianos que estão bloqueados para um mundo cada vez mais com fome.

Enquanto isso, o enviado de Moscou a Londres não deu muita esperança de um recuo em partes da Ucrânia sob o controle da Rússia. O embaixador Andrei Kelin disse à Reuters que as tropas russas tomariam o resto de Donbass, no leste da Ucrânia, e não devem se retirar por terra na costa sul.

A Ucrânia uma hora terá que fechar um acordo de paz “ou continuar caindo pelo precipício” até a sua ruína, disse.

“Tática de terra queimada”

Na quinta-feira, Putin indicou que as atuais perspectivas de encontrar uma solução ao conflito são baixas, dizendo que a campanha da Rússia na Ucrânia mal havia começado.

Os comentários do embaixador Kelin sugeriram o possível objetivo final da Rússia — uma partição forçada que deixa sua vizinha sem mais de um quinto do seu território pós-soviético.

A guerra ainda pode piorar, disse Kelin.

Autoridades ucranianas, ecoando comentários do vice-comandante da unidade de infantaria nos arredores de Siversk, disseram que precisam de mais armas ocidentais de alta qualidade para reforçar suas defesas.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, autorizou um novo pacote de armas, no valor de 400 milhões de dólares, para a Ucrânia nesta sexta-feira, incluindo quatro sistemas de artilharia de mísseis de alta mobilidade adicionais (Himars) e mais munição.

“Não é o seu país”

Na reunião do G20 em Bali, Indonésia, alguns dos maiores críticos da invasão que começou em 24 de fevereiro confrontaram Lavrov, que se retirou da reunião e denunciou o Ocidente por “críticas frenéticas”.

O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, pediu que Moscou liberasse os grãos, disse uma autoridade ocidental.

“Ele falou diretamente à Rússia: ‘Aos nossos colegas russos, a Ucrânia não é o país de vocês. O grão dela não é o seu grão. Por que você estão bloqueando os portos? Vocês deveriam deixar o grão sair’”, disse a autoridade.