Ucrânia realiza um dos maiores ataques com drones contra a Rússia

Refinaria e estação de energia no interior do país foram atingidas

Brad Lendon e Isaac Yee, da CNN
Incêndio na Central Elétrica de Konakovo, uma das maiores produtoras de energia da Rússia central, após um ataque de drones
Incêndio na Central Elétrica de Konakovo, uma das maiores produtoras de energia da Rússia central, após um ataque de drones  • Redes sociais
Compartilhar matéria

A Ucrânia lançou um dos seus maiores ataques de drones contra a Rússia no fim de semana, atingindo uma refinaria e uma estação de energia no interior do país, de acordo com vídeos postados nas redes sociais e geolocalizados pela CNN.

Os vídeos mostram colunas de fumaça subindo de alvos em Moscou e na região vizinha de Tver.

O Ministério da Defesa russo reconheceu a magnitude do ataque ucraniano, mas minimizou sua eficácia, dizendo, no domingo (1°). que 158 UAVs (veículos aéreos não tripulados, na sigla em inglês) ucranianos "foram destruídos e interceptados pela defesa aérea" durante a noite em 15 regiões, incluindo a capital.

O prefeito de Moscou, Sergey Sobyanin, pontuou que dois drones foram abatidos na área da Refinaria de Petróleo de Moscou.

Nenhuma vítima foi relatada, mas o segundo drone abatido danificou um prédio técnico na refinaria e causou um incêndio, que o prefeito disse não ter se espalhado e que não afetou a operação da planta.

O governador da região de Tver, Igor Rudenya, afirmou nas redes sociais que um incêndio causado pelo ataque de drones no distrito de Konakovo foi extinto e que os serviços de gás e eletricidade para a área estavam operando normalmente.

A ofensiva com drones ucranianos acontece após outros ataques na semana passada, incluindo um na última quinta-feira (29) que incendiou reservatórios de petróleo em uma refinaria na região de Rostov, na Rússia, de acordo com o Ministério da Defesa ucraniano.

Um vídeo geolocalizado pela CNN mostrou uma grande nuvem de fumaça preta saindo do depósito de petróleo Atlas, em Rostov, após o ataque.

Putin fala de "provações difíceis"

A recente onda de ataques da Ucrânia em território russo começou no mês passado, quando as tropas de Kiev lançaram uma invasão na região de Kursk, em 6 de agosto.

Vladimir Putin, presidente da Rússia, reconheceu que "as pessoas estão passando por provações difíceis, especialmente na região de Kursk", enquanto as forças ucranianas tentam "desestabilizar a situação ao longo da fronteira".

Já o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, comentou que os ataques mais recentes com drones no interior da Rússia foram justificados pelos ataques repetidos de Moscou contra seu país.

"Só na semana passada, a Rússia lançou mais de 160 mísseis de vários tipos, 780 bombas aéreas guiadas e 400 UAVs de ataque de diferentes tipos contra nosso povo", afirmou Zelensky em um post no X.

Zelensky pede para usar armas de longo alcance

Na segunda-feira, pelo menos três pessoas ficaram feridas em ataques em Kiev, bem como nas regiões de Kharkiv e Sumy, de acordo com autoridades ucranianas.

Isso acontece depois que 41 pessoas ficaram feridas após um ataque russo à infraestrutura civil em Kharkiv, a segunda maior cidade da Ucrânia, disseram autoridades locais.

"A Rússia está mais uma vez aterrorizando Kharkiv, atacando a infraestrutura civil e a própria cidade", comentou Zelensky no X, pedindo aos aliados que "deem à Ucrânia tudo o que ela precisa para se defender".

“É inteiramente justificado que os ucranianos respondam ao terror russo por quaisquer meios necessários para detê-lo”,adicionou o presidente, reiterando seu apelo para que os países ocidentais retirem as restrições ao uso de armas de longo alcance, o que impediu seu uso para atingir alvos dentro da Rússia.

“Isso inclui decisões de realizar ataques de longo alcance em locais de lançamento de mísseis da Rússia, destruir a logística militar russa e conduzir esforços conjuntos para abater mísseis e drones — tudo o que nos ajudará a resistir ao mal russo”, disse Zelensky.

A Rússia tem atacado a infraestrutura energética da Ucrânia com mísseis e drones desde o início da guerra.

*Alex Marquardt, Isaac Yee, Darya Tarasova, Maria Kostenko, Chris Liakos e Anna Chernova, da CNN, contribuíram para esta reportagem.