UE convoca reunião para discutir travessias de migrantes em Ceuta

Cerca de 50 mil pessoas cruzaram a fronteira de Marrocos para Espanha nos últimos dias

Philip Blenkinsop, da Reuters
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A União Europeia realizará uma videoconferência de emergência com ministros nacionais na terça-feira (4) para discutir a travessia em massa de migrantes para o território espanhol de Ceuta, no norte da África.

A Irlanda, que detém a presidência rotativa da UE, afirmou neste sábado (1°) que convocou uma reunião do Conselho de Justiça e Assuntos Internos do bloco, presidida pelo Ministro da Justiça, Assuntos Internos e Migração irlandês, Jim O'Callaghan, para discutir os desenvolvimentos.

Espanha instala barreira flutuante na fronteira de Ceuta

A polícia da Espanha instalou neste sábado uma barreira flutuante de 500 metros na fronteira entre Ceuta e o Marrocos. O objetivo é impedir a passagem irregular de pessoas nadando após o caos dos últimos dias.

Segundo as autoridades espanholas, cerca de 50 mil pessoas entraram em Ceuta por terra e por mar desde quinta-feira (30), em um fluxo sem precedentes em uma das poucas fronteiras terrestres da UE com a África. Pelo menos 67 pessoas morreram.

Diante da reação europeia, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, chamou a resposta do bloco de "egoísta, polarizadora e ilegal”, em uma carta amplamente citada pela mídia europeia. O premiê afirmou que “tal atitude” era “motivada por preconceito, notícias falsas, ignorância ou interesse político”.

Fluxo migratório ainda é controverso

Autoridades espanholas, incluindo Sánchez, afirmaram que as redes de tráfico humano incentivaram as travessias, deturpando uma recente decisão do Supremo Tribunal sobre o retorno de migrantes. Segundo essa explicação, os migrantes teriam presumido erroneamente que qualquer pessoa que tentasse entrar na Espanha por mar não poderia ser deportada.

Gemma Pinyol-Jiménez, chefe de políticas de migração e diversidade da Instrategies e pesquisadora associada do GRITIM – Universidade Pompeu Fabra, explicou à CNN que não é bem assim. “A ideia é facilitar o trabalho da polícia, mas isso não significa que essas pessoas possam ficar em Ceuta", afirmou.

Especialistas consultados pela CNN mencionaram a economia relativamente forte da Espanha, um programa de regularização para migrantes indocumentados que já vivem no país, as condições marítimas favoráveis ​​durante o verão e as pressões econômicas de longa data sobre os jovens em Marrocos como razões para a migração em massa para Ceuta.

Segundo as estatísticas oficiais, a taxa de desemprego entre os marroquinos com idades entre os 15 e os 24 anos permanece elevada, nos 37,2%, apesar da taxa de desemprego a nível nacional ter diminuído ligeiramente para 13% em 2025.