Unicef alerta para "condições terríveis" para mães e recém-nascidos em Gaza

Segundo porta-voz, situação nunca foi tão ruim, com hospitais lotados de mulheres que acabaram de dar à luz

Olivia Le Poidevin, da Reuters
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Mães e recém-nascidos em Gaza enfrentam condições terríveis, já que o hospital Nasser, no sul do território, está lotado de pacientes fugindo do norte e os recursos médicos estão acabando, disse a Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) na sexta-feira (3).

"A situação das mães e dos recém-nascidos em Gaza nunca foi tão ruim. No hospital Nasser, vemos corredores lotados de mulheres que acabaram de dar à luz", disse o porta-voz da Unicef, James Elder, a repórteres em Genebra, por videoconferência de Gaza.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) disse na sexta-feira (3) que o sistema de saúde estava à beira do colapso.

O Dr. Rik Peeperkorn, representante da OMS para o Território Palestino ocupado, disse que nunca viu o hospital Nasser tão lotado, com pacientes fugindo da Cidade de Gaza, que está no centro da ofensiva militar expandida de Israel, em direção ao sul do enclave.

Israel ordenou que toda a população de um milhão de pessoas da Cidade de Gaza se dirigisse para o sul, enquanto organiza uma das maiores ofensivas da guerra neste mês, prometendo erradicar os combatentes do Hamas no que diz serem seus últimos bastiões na maior área urbana de Gaza.

"Em cada corredor você vê colchões e pacientes no chão. Há um aumento enorme", disse Peeperkorn, acrescentando que um grande número de pacientes vem do norte.

Apenas 14 dos 36 hospitais de Gaza permaneceram parcialmente funcionais, de acordo com a OMS.

Elder descreveu novas mães e seus recém-nascidos deitados no chão do hospital Nasser e também relatou ter visto três bebês prematuros compartilhando uma única fonte de oxigênio.

"Eles dividiram 20 minutos cada. As outras duas crianças choram enquanto a terceira criança recebe oxigênio por 20 minutos", disse Elder.

A OMS diz que há uma grande escassez de suprimentos médicos.

"Vemos uma escassez cada vez menor de itens essenciais, como kits de curativos, gazes... mas também de tudo relacionado a suprimentos de sangue e kits de transfusão", disse Peeperkorn, relatando problemas contínuos para obter os suprimentos.

Israel diz que não há limite quantitativo para a ajuda que entra em Gaza e acusa o Hamas, com quem está em guerra há quase dois anos, de roubar ajuda — acusações que o grupo militante palestino nega.