Venezuela ainda mantém 687 presos políticos, aponta ONG

O grupo de direitos Humanos Foro Penal acrescentou que, do total de detentos, 600 são homens, 87 mulheres, 505 civis, 182 militares e 59 estrangeiros

Da CNN Brasil*
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A Venezuela mantém 687 presos políticos, com 51 pessoas com paradeiro desconhecido, de acordo informações divulgadas pelo Foro Penal nesta segunda-feira (2).

A organização que monitora as detenções políticas no país acrescentou que, do total de presos, 600 são homens, 87 mulheres, 505 civis, 182 militares e 59 estrangeiros.

Em meio à tensão entre a Venezuela e os Estados Unidos, o grupo de direitos humanos Foro Penal disse ter verificado a libertação de 344 "presos políticos" desde que o governo anunciou a nova série de solturas no início de janeiro, 33 deles neste domingo (1º).

Entre os libertados estava o ativista de direitos humanos Javier Tarazona, que estava preso desde 2021 no centro de detenção de Helicoide.

"Após 1.675 dias, quatro anos e sete meses, o dia que tanto desejávamos chegou: meu irmão Javier Tarazona está livre", afirmou José Rafael Tarazona na rede social X.

"A liberdade de um é a esperança de todos", acrescentou.

Pressão de Washington sobre Caracas

A libertação de presos se intensificou desde que a Venezuela anunciou uma política de soltura em 8 de janeiro, após a captura do ditador Nicolás Maduro. A medida acontece sob exigência de Washington, segundo fontes disseram à CNN.

Como parte dos esforços para atender a pressão dos EUA, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou uma "lei de anistia geral", medida que pode beneficiar centenas de presos políticos.

Ela especificou que aqueles processados ​​por "homicídio, tráfico de drogas, corrupção e violações dos direitos humanos" estariam isentos dessa lei.

“Peço que a vingança, o rancor e o ódio não prevaleçam. Estamos dando à Venezuela a oportunidade de viver em paz”, disse Delcy em sua mensagem.

Ao realizar o anúncio, Delcy disse que a medida também era uma decisão do ditador venezuelano Nicolás Maduro e da sua primeira-dama, com quem a líder interina disse que mantém "troca de informações".

Em seguida, Delcy disse que Helicoide, um centro de detenção duramente criticado por ativistas de direitos humanos, será transformada em um complexo esportivo e de bem estar-social.

“Decidimos que as instalações de Helicoide, que hoje funcionam como centro de detenção, serão transformadas em um centro social, esportivo, cultural e comercial para a família policial e para as comunidades vizinhas”, disse ele.

Localizada na região centro-sul de Caracas, El Helicoide é um lugar que muitos venezuelanos libertados dizem jamais esquecer. Superlotação, falta de saneamento básico, extorsão e diversas formas de abuso são apenas algumas das queixas sobre essa prisão.