Venezuela amplia cerco à informação com bloqueios a pelo menos 60 sites, diz sindicato

Organização de trabalhadores de imprensa fala em “censura prévia” pelo governo Maduro

Luciana Taddeo, da CNN
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Pelo menos 60 sites estão com bloqueios ativos e 12 dessas restrições foram impostas desde o início da campanha presidencial da Venezuela. A denúncia é do Sindicato de Nacional de Trabalhadores de Imprensa do país, que afirma que somente nesta segunda-feira (22), seis sites foram bloqueados.

Somente nesta segunda, a menos de uma semana das eleições presidenciais, a organização calcula bloqueios dos sites de notícias Tal Cual, Analítica e El Estímulo e das organizações Medianálisis e VEsinFiltro.

Na rede social X, o jornal Tal Cual anunciou que a partir do meio-dia desta segunda, o governo impôs para as operadoras de internet Cantv, Digitel, Movistar, NetUno e Inter bloquear seu site. “Esta equipe de jornalistas continuará trabalhando para informar uma sociedade que sofre o impacto de um sistema que restringe suas liberdades”, afirmou o veículo.

Outro exemplo de bloqueio é o Run Run.es, site de notícias marcadamente opositor, que segundo o sindicato passou a ser restrito, nesta segunda, por mais uma operadora de internet, além de duas que já restringiam o acesso ao site desde 2020.

“Alertamos para gravidade do que significa a imposição de censura prévia além da violação não somente de padrões internacionais, mas também da nossa própria legislação, a constituição e leis que regulam assuntos vinculados à liberdade de informação e de expressão como dois direitos humanos fundamentais que não podem ser restritos”, disse à CNN o secretário geral do sindicato, Marco Ruiz.

A reportagem da CNN, que está na capital venezuelana, tentou, sem sucesso, entrar nos sites dos jornais El Nacional, Tal Cual e nos portais Efecto Cocuyo, El Estímulo, La Patilla, Infobae e Monitoreamos, a maioria deles de linha editorial opositora.

A única maneira de acessar esses endereços eletrônicos foi mediante links disponibilizados pelos próprios meios de comunicação para contornar a restrição. Segundo o sindicato, entre os 60 sites, há meios de comunicação, organizações de defesa da liberdade de expressão e informação e agências de fact checking.

“São sites que dão espaço a opções que são diferentes, que são críticas, que são dissidentes da gestão governamental. Nesse sentido, denunciamos como um fato ilegal, arbitrário, que viola princípios legais nacionais e internacionais e constitui uma discriminação em função da militância, ideologia ou exercício do direito de ter opinião crítica”, afirma Ruiz.

De acordo com o sindicato, as restrições registradas ao longo dos últimos 10 anos já contabilizam 60 bloqueios ativos, sem que haja notificação aos sites pela Comissão Nacional de Telecomunicações da Venezuela, que não justifica o impedimento do acesso.

A CNN procurou representantes do governo para comentar a restrição do acesso aos sites e ainda não obteve resposta.