Venezuelano relata resgate após passar mais de dois dias sob escombros
Sobrevivente dos terremotos ficou preso por dois dias e sete horas em prédio que desabou em La Guaira; número oficial de mortos chega a 2.954

Juan Zapata passou dois dias e sete horas preso sob os escombros após os terremotos que atingiram a costa da Venezuela há 10 dias.
Durante o resgate, ele disse às equipes que estava no quinto andar do prédio onde morava, mas ouviu como resposta que, na verdade, estava no subsolo, após o edifício desabar completamente.
Zapata havia acabado de jantar em seu apartamento, localizado no quinto andar de um edifício com vista para o Mar do Caribe, e se preparava para tomar banho quando foi arremessado pela força dos dois terremotos.
Ele ficou preso entre duas barras de vergalhão até ser retirado por equipes civis de resgate.
"Quando estavam me resgatando, eu disse: 'Estou no quinto andar', e eles me responderam: 'Não, você está no subsolo mais baixo'. Não conseguia acreditar no que tinha acontecido comigo", contou Zapata, ao lado do leito em um hospital de campanha administrado pela organização humanitária Samaritan's Purse, no estado de La Guaira.
Inicialmente atendido no hospital público de La Guaira, a região mais atingida pelos terremotos, Zapata foi transferido para o hospital de campanha após visitar o edifício Costa Brava, onde morava, e encontrá-lo destruído. Ele se recupera de diversas fraturas nas costelas, além de cortes e escoriações graves. As pernas permanecem enfaixadas, e ele ainda sente dores ao respirar.
"Perdi todos os meus bens materiais, mas Deus me deu saúde", declarou.
Zapata perdeu o celular durante os terremotos e, desde então, não conseguiu entrar em contato com a filha, que vive nos Estados Unidos, nem com a irmã, no Canadá. Ele também perdeu a carteira de identidade e outros documentos.
No sábado (4), o governo venezuelano elevou para 2.954 o número oficial de mortos e informou que quase 30 mil agentes foram mobilizados, com apoio de 3.281 equipes internacionais de resgate.
Segundo dados oficiais, mais de 16 mil pessoas estão desabrigadas. Parte delas vive em abrigos organizados pelo governo, enquanto outras permanecem em acampamentos improvisados. Uma contagem não oficial amplamente utilizada aponta mais de 41 mil desaparecidos.
O hospital de campanha, resultado de uma coordenação do Departamento de Estado dos Estados Unidos com organizações que prestam assistência humanitária na Venezuela, já atendeu cerca de 400 pacientes, incluindo casos que exigiram cirurgias, segundo o diretor médico da unidade, Peter Holz.
"No início, são todos casos de trauma causado pelo terremoto; depois, teremos consultas cirúrgicas de acompanhamento", relatouHolz.
Montado em um espaço que normalmente funciona como um campo de beisebol, o hospital deverá transferir gradualmente suas operações para médicos locais. Segundo Holz, os equipamentos e suprimentos permanecerão de forma permanente nas clínicas da região.
"Isso vai se transformar cada vez mais em um centro de saúde comunitário", disse. "Há muitas histórias tristes, mas também muita esperança em meio a tudo isso."


