Venezuela liberta nove presos políticos, incluindo ativistas
Prisioneiros estavam detidos no centro de detenção de Helicoide, que, segundo um relatório das Nações Unidas de 2022, submetia os detidos a tortura, acusação que o governo rejeitou

Nove venezuelanos foram libertados de uma prisão de Caracas, capital da Venezuela, neste domingo (1º), incluindo o ativista de direitos humanos Javier Tarazona.
"Após 1.675 dias, quatro anos e sete meses, o dia que tanto desejávamos chegou: meu irmão Javier Tarazona está livre", disse José Rafael Tarazona na rede social X. "A liberdade de um é a esperança de todos."
As libertações de prisioneiros aceleraram desde que o país anunciou uma política de libertação em 8 de janeiro, após a captura do ditador Nicolás Maduro pelos EUA em 3 de janeiro.
Tarazona é o diretor da FundaRedes, organização que monitora supostos abusos cometidos por grupos armados colombianos e pelas forças armadas venezuelanas ao longo da fronteira entre os dois países. Ele foi preso em julho de 2021, acusado de terrorismo e conspiração.
Os prisioneiros libertados estavam detidos no centro de detenção de Helicoide, na capital Caracas, que, segundo um relatório das Nações Unidas de 2022, submetia os detidos a tortura, acusação que o governo rejeitou.
O grupo local de direitos humanos Foro Penal disse no X que os libertados além de Tarazona foram: o cidadão italiano venezuelano Mauricio Giampaoli, o ativista político Luis Isturiz, o agricultor Victor Castillo, o líder político Yandir Loggiodice, Willians Diaz, Rodrigo Perez, Omaira Salazar e Guillermo Lopez.
"Cada passo em direção à liberdade e ao fim definitivo da repressão é importante", disse Gonzalo Himiob, vice-presidente do grupo, no X.
O Foro Penal afirmou que mais de 300 presos políticos foram libertados nas últimas semanas e estima que mais de 700 permaneçam encarcerados.
Autoridades governamentais – que negam manter presos políticos e afirmam que os encarcerados cometeram crimes – estimam o número de libertações em mais do que o dobro, embora esse número pareça incluir libertações de anos anteriores.
Lei de anistia para prisioneiros
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou na sexta-feira (31) uma proposta de "lei de anistia" para centenas de presos e afirmou que o centro de detenção de Helicoide será transformado em um centro de esportes e serviços sociais.
Familiares de presos afirmam que as libertações têm ocorrido muito lentamente, e parentes e defensores dos direitos humanos exigem que as acusações e condenações contra detidos considerados presos políticos sejam anuladas.
A vencedora do Prêmio Nobel da Paz e líder da oposição Maria Corina Machado, que tem vários aliados próximos presos, defendeu a libertação deles.
Entre as figuras proeminentes que permanecem detidas estão o político da oposição Juan Pablo Guanipa e o advogado Perkins Rocha, ambos aliados próximos de Machado, e o líder do partido da oposição Voluntad Popular, Freddy Superlano.
Rafael Tudares, genro do ex-candidato presidencial da oposição Edmundo Gonzalez, está entre os libertados.


