Venezuela: María Corina acredita em transição e eventual eleição livre
Fala é feita após encontro com Donald Trump, no qual a opositora venezuelana entregou medalha do Nobel da Paz
A líder da oposição da Venezuela, María Corina Machado, afirmou nesta sexta-feira (16) que está confiante de que o restante do que chamou de "regime criminoso" seja desmantelado no país sul-americano e que haverá uma transição ordenada para eleições livres.
Machado falou com jornalistas em Washington um dia após se encontrar com o presidente Donald Trump, a quem entregou sua medalha do Prêmio Nobel da Paz.
Analistas entendem que o gesto faria parte de uma tentativa de convencê-lo a dar à atual oposição um papel na definição do futuro da Venezuela após a destituição de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos.
Trump apoiou ex-aliados de Maduro, liderados pela presidente interina Delcy Rodríguez, para governar o país sul-americano, em vez de Machado, cujo movimento foi amplamente considerado o vencedor das eleições de 2024.
María Corina confia em transição e eventuais eleições
Desde o ataque relâmpago de 3 de janeiro que derrubou Maduro, Trump priorizou o acesso às vastas reservas de petróleo da Venezuela, e não a restauração da democracia, deixando claro que considera o governo atual a melhor opção para manter a ordem.
“Estou profundamente confiante de que teremos uma transição ordenada (para as eleições)”, disse Machado em uma coletiva de imprensa na Heritage Foundation, um think tank conservador com fortes laços com o governo Trump.
Mas ela ressaltou que se trata de um processo delicado e complexo que levará tempo para se desenrolar.
“Isso não tem nada a ver com tensão ou relações entre Delcy Rodríguez e eu”, afirmou, mas insistiu que uma “estrutura criminosa” que domina a Venezuela há anos acabará por se desmantelar. Ela não deu detalhes, porém, sobre como isso aconteceria.
Coincidindo com a visita de Machado à Casa Branca na quinta-feira, o diretor da CIA, a agência federal de inteligência dos EUA, John Ratcliffe, voou para Caracas e se encontrou com Rodríguez.
Essa é a visita de mais alto nível conhecida de uma autoridade dos EUA desde a queda de Maduro e mais um sinal da disputa entre os dois lados por apoio do governo Trump.
Machado fez questão de elogiar Trump e evitar qualquer crítica direta à sua abordagem à Venezuela pós-Maduro, o que frustrou muitos na oposição do país.
María Corina entrega medalha do Nobel a Trump
María Corina Machado entregou sua medalha do Nobel a Trump no Salão Oval na quinta-feira, dizendo que ele a merecia e que era um reconhecimento do que ela chamou de seu compromisso com a liberdade do povo venezuelano.
O Instituto Nobel da Noruega afirmou que o prêmio não pode ser transferido, compartilhado ou revogado.
Trump havia feito campanha abertamente pelo prêmio antes de Machado e reclamou quando não foi escolhido.
Ele escreveu em sua plataforma Truth Social que Machado era uma “mulher maravilhosa que passou por tanta coisa” e que lhe entregar o Nobel foi “um gesto maravilhoso de respeito mútuo”.
Mais tarde, a Casa Branca publicou uma foto de Trump e Machado, na qual o presidente segura uma grande moldura dourada exibindo a medalha.

A tentativa de Machado de conquistar a simpatia de Trump em seu primeiro encontro pessoal ocorreu depois que ele descartou a ideia de nomeá-la como líder da Venezuela para substituir Maduro.
Durante a visita, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que Trump estava ansioso para conhecer Machado, mas manteve sua avaliação "realista" de que ela não tinha, naquele momento, o apoio necessário para liderar o país no curto prazo.


