Venezuela prende familiares de opositores para gerar medo, diz ONU

Críticos do regime e organizações internacionais denunciam repressão crescente desde as eleições

Da Reuters
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A Venezuela prende familiares de figuras da oposição em um “padrão sustentado e sistemático” para gerar medo e controle social, afirmou uma missão de apuração de fatos da ONU em um relatório que será divulgado em breve.

O relatório, visto pela Reuters nesta sexta-feira (19), deve ser apresentado em uma sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU na próxima semana. O documento é baseado em pesquisas realizadas entre setembro de 2024 e agosto deste ano.

A oposição do país sul-americano e organismos internacionais de direitos humanos denunciaram uma repressão crescente contra figuras opositoras desde a eleição presidencial de julho de 2024.

A oposição divulgou atas de urnas mostrando uma vitória esmagadora de seu candidato, Edmundo González, mas o regime Nicolás Maduro e a Suprema Corte afirmaram que o ditador conquistou o terceiro mandato.

Nem o ministério das Comunicações nem a Procuradoria-Geral responderam imediatamente aos pedidos de comentário.

O governo de Maduro já afirmou anteriormente que a missão de apuração de fatos da ONU é um mecanismo de agressão e insiste que a Venezuela é uma democracia regida por leis.

“As prisões de parentes de ‘pessoas da oposição ou percebidas como tal... não se limitam a ações individuais, mas correspondem a uma política de repressão orientada para criar medo e controle social”, disse o relatório.

Familiares são detidos como represália contra políticos opositores ou como forma de exercer pressão, acrescentou o documento, observando que as prisões têm impactos graves nas famílias e reforçam um clima de medo.

Entre os nomes citados no relatório está Rafael Tudares, genro do ex-candidato presidencial da oposição Edmundo González, que foi detido em janeiro enquanto levava seus filhos pequenos à escola. Sua família afirma que não recebeu nenhuma informação sobre ele desde então.

Parentes nos casos investigados pela ONU foram impedidos de ter acesso a advogados de sua escolha e, em vez disso, receberam defensores públicos, segundo o relatório.