Waack: Agora em crise, Tunísia era única democracia de vitrine do mundo árabe

Nesta segunda-feira (26), o presidente Kais Saied destituiu o primeiro-ministro do país e congelou as atividades do parlamento; atuação é encarada como golpe

William Waack conduz o CNN Poder, na Rádio CNN
William Waack conduz o CNN Poder, na Rádio CNN Foto: CNN Brasil

Da CNN, em São Paulo

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No quadro CNN Poder desta terça-feira (27), na CNN Rádio, William Waack analisa a crise instalada na Tunísia após o presidente Kais Saied destituir o primeiro-ministro do país e congelar as atividades do parlamento. Para Waack, a Tunísia tem uma “importantíssima lição a dar para todos preocupados com a relação entre redes sociais, comportamentos políticos e regimes políticos.” 

“Foi na Tunísia que começou a onda de revoltas árabes mais de dez anos atrás. E começou tudo do mesmo jeito, por redes sociais, Twitter e Facebook”, disse Waack. A atual crise é vista como o maior desafio para o país desde a Primavera Árabe, que derrubou uma autocracia em favor do governo democrático, mas que falhou em entregar governança sólida.

“Se as redes sociais são tão importantes e começa tudo igual porque que terminou tudo tão diferente e só na Tunísia terminou em uma democracia? Em outros lugares, como a Síria, terminou em guerra civil que dura até hoje”, avaliou Waack.

Segundo ele, as redes sociais reforçam “o que são as condições locais, históricas e culturais”. “É impossível entender processos políticos sem entender suas particularidades e sem entender suas sociedades”, disse.

“E aí a gente vem para Tunísia de hoje. Era a única democracia de vitrine do mundo árabe. E o que é a Tunísia hoje? É um país em crise por conta da pandemia e a pandemia mudou muito o papel das redes sociais. Inclusive no Brasil. Acompanhem o meu raciocínio: a pandemia mudou também as redes sociais no Brasil, as pessoas hoje desconfiam dela muito mais do que desconfiavam antes”, afirmou. 

 

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