William Waack

Waack: Trump manda maior porta-aviões do mundo assustar Maduro

A missão do Gerald Ford é dar apoio à diretriz do presidente Donald Trump de desmantelar organizações criminosas transnacionais — leia-se, o narcotráfico

William Waack
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Chegou nesta terça-feira (11), nas proximidades da Venezuela, o maior navio de guerra já construído: o porta-aviões norte-americano  Gerald R. Ford. Trata-se do mais moderno, pesado e poderoso navio de uma frota concebida para projetar poder militar em qualquer parte do mundo. Não há nada comparável ao  Gerald R. Ford em termos de capacidade bélica como peça central de um grupo de ataque — denominação usada no jargão militar para o conjunto de embarcações que operam em torno de um grande porta-aviões.

Esse aparato imponente ingressou oficialmente hoje na área sob responsabilidade do Comando Sul das Forças Armadas dos Estados Unidos, que jamais havia tido à disposição um instrumento militar dessa magnitude. Segundo comunicado do Comando Sul, a missão do Gerald R. Ford é dar apoio à diretriz do presidente Donald Trump de desmantelar organizações criminosas transnacionais — leia-se, o narcotráfico.

Em termos de poder de fogo, trata-se de usar um canhão para matar passarinhos, o que levanta uma questão inevitável: apenas exibir força militar é suficiente para derrubar uma ditadura como a de Nicolás Maduro na Venezuela, regime designado pelo governo americano como um “narco-estado”?

A história recente mostra que não. Diversos ditadores foram depostos por meio de intervenções militares, mas todas elas contaram com tropas em solo. Trump já tentou uma vez derrubar o regime chavista, em 2019, quando grandes manifestações da oposição tomavam as ruas. Ainda assim, o governo de Maduro permanece no poder, amparado por Rússia e China.

Embora seja improvável que esses dois países intervenham militarmente para defender o regime venezuelano, a questão principal não é essa. O verdadeiro problema é entender como Trump acredita poder eliminar uma ditadura em um país de grande porte como a Venezuela — e, sobretudo, o que ele faria depois disso. Caso, é claro, ele próprio saiba.