Waack: Trump troca guerra externa por conflito com aliados

A fúria épica do republicano volta-se agora para os tradicionais aliados da Otan, enquanto ainda não sabe se volta ou não a bombardear ou até invadir o Irã

William Waack
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Na sua fúria épica, Donald Trump não parece ter conseguido até aqui o que queria.

O odiado regime teocrático do Irã continua lá, mesmo depois de ter tomado uma histórica surra militar, e continua praticando o histórico fechamento do Estreito de Ormuz. 

Um caso clássico de operações táticas brilhantemente executadas pelas Forças Armadas dos Estados Unidos e Israel, que levaram a uma situação estratégica desfavorável... para os Estados Unidos. 

A fúria épica de Trump volta-se agora para os tradicionais aliados da Otan, enquanto ainda não sabe se volta ou não a bombardear ou até invadir o Irã, o que parece depender mais de Israel do que da própria superpotência. 

O republicano fala em desfazer o principal pacto militar do planeta.

Na visão de Trump, os principais beneficiados do pacto foram europeus preguiçosos que viveram à sombra do guarda-chuva de segurança proporcionado pelos americanos e que não correram para salvá-lo da confusão que ele mesmo arrumou no Estreito de Ormuz. 

Trump já vem tratando tradicionais aliados a pontapés, seja na retórica, seja no emprego de armas econômicas e comerciais.

No entanto, a Otan sempre funcionou muito mais como aliança abrangente, como pilar de um tipo de ordem internacional, do que simplesmente como pacto militar. 

Não é, porém, o que está no que se poderia chamar de visão de mundo de Trump, que não parece ser mais ampla do que o próprio umbigo.  

O que surge no horizonte agora, depois da Operação Fúria Épica, é um adversário que ficou mais forte depois de ter apanhado muito na guerra, e uma forte aliança militar de países aliados, que Trump ameaça deixar bem fraca.