Adolescentes passam 70 minutos por dia no celular nas escolas, diz estudo

Estudo feito com jovens dos EUA mostrou que eles passam a maior parte do tempo em aplicativos de redes sociais, como Instagram, TikTok e Snapchat

Kara Alaimo, da CNN
Compartilhar matéria

Quando as crianças vão para a escola, a maioria dos pais provavelmente assume que elas não passam muito tempo do dia no celular. Uma nova pesquisa sugere que isso não é verdade.

Adolescentes passam, em média, 70 minutos do seu dia escolar no celular, de acordo com uma pesquisa com jovens americanos de 13 a 18 anos publicada nesta segunda-feira (5) pela revista JAMA.

 

 

Esse tempo é "literalmente durante o dia escolar, quando crianças e adolescentes deveriam estar nas aulas" focados em aprender e fazer trabalhos escolares, afirma Jason Nagata, autor principal da carta de pesquisa e professor associado de pediatria da Universidade da Califórnia, em São Francisco.

E isso é apenas na escola. Pesquisas anteriores mostram que esse é apenas um recorte das 8 horas e meia que os adolescentes passam diariamente em entretenimento baseado em telas.

Muitas pesquisas anteriores pediam aos adolescentes que relatassem seu uso de tela, o que poderia ser pouco confiável se eles não quisessem admitir o uso de celulares na escola, diz Nagata. Esta última pesquisa utilizou um aplicativo que rastreou quanto tempo os adolescentes passavam em seus celulares e quais plataformas utilizavam.

Os adolescentes passaram a maior parte do tempo no celular durante o dia escolar em aplicativos de redes sociais como TikTok, Instagram e Snapchat, segundo o estudo. Eles também passaram, em média, quase 15 minutos de cada dia escolar em aplicativos de jogos e quase 15 minutos em aplicativos de vídeo como YouTube.

Os jovens às vezes dizem que precisam de seus celulares para ajudar com o trabalho escolar, como usar a calculadora ou procurar informações online — mas os aplicativos que eles realmente usaram na escola "são muito improváveis de estarem relacionados às tarefas escolares", afirma Nagata.

Embora a maioria das escolas tenha políticas que restringem o uso do celular, o estudo sugere que os adolescentes estão encontrando maneiras de burlar as regras.

O estudo rastreou apenas usuários de Android, então é possível que usuários de iPhone tenham hábitos diferentes de uso do celular, observou Nagata.

Os dados de 640 adolescentes foram coletados do Estudo do Desenvolvimento Cognitivo do Cérebro Adolescente usando determinadas semanas de setembro de 2022 a maio de 2024. Não foram consideradas as rápidas mudanças nas políticas de uso de celular nas escolas durante esse período, então Nagata sugeriu que mais análises serão necessárias para acompanhar as relações entre o uso de smartphones, as novas políticas e os resultados acadêmicos.

Não culpe seus filhos. Ajude-os a mudar

Não culpe as crianças por usarem celulares na escola. "Eles são projetados para prender as crianças e têm características viciantes", afirma Nagata. Em vez de proibir, ajude os jovens a desenvolver estratégias para resistir a eles.

Comece conversando com seus filhos, pois eles têm maior probabilidade de seguir regras quando ajudam a criá-las, explicou Nagata. Eles também precisam desenvolver habilidades para lidar com a tecnologia de forma responsável conforme crescem.

A melhor solução é que as crianças deixem os celulares em casa ou os guardem em bolsas específicas quando chegarem à escola, segundo o especialista.

Sou defensor de deixar os celulares em casa. Os pais frequentemente pensam que seus filhos estão mais seguros com celulares, mas infelizmente isso não é verdade. Em caso de tiroteio na escola ou outra emergência, é melhor que eles prestem atenção ao ambiente e sigam as instruções — não que liguem para os pais. E se as crianças estiverem navegando enquanto atravessam a rua para ir à escola ou se conectando com predadores em seus celulares, elas claramente estão menos seguras.

Se as crianças não deixarem seus celulares em casa ou trancados na escola, elas devem desligá-los ou colocá-los no modo "não perturbe". Elas têm maior probabilidade de interagir com os celulares se receberem notificações, segundo Nagata.

Como convencê-los a largar o celular

Como podemos convencer as crianças a não usar celulares na escola? Concentre-se no que eles ganhariam ao deixar os aparelhos de lado, em vez de focar no que você está tirando deles, segundo Melissa Greenberg, psicóloga clínica e diretora do Centro de Psicoterapia de Princeton, que não participou do estudo.

Você pode tentar guardar os celulares por algumas horas em família e conversar sobre como todos se sentem depois, sugere Greenberg. "Você realmente sente que tudo o que acontece é que você sente falta dele, ou você consegue aproveitar outras coisas? Consegue se sentir mais presente? Consegue realmente focar em uma conversa com alguém? Sente alguma liberdade em relação a todas aquelas notificações?"

É provável que as crianças percebam o valor do tempo livre dos celulares. "A maioria das pessoas com quem converso que fazem pausas digitais sentem que há benefícios nisso", acrescenta.

Para crianças que querem ter sucesso na escola, você também pode explicar como os celulares podem prejudicar seu desempenho. "Se você está sempre distraído e não presta atenção, é provável que não se saia tão bem nas aulas", afirma Nagata.

Sua pesquisa anterior descobriu que crianças entre 9 e 13 anos que usavam mais as redes sociais obtiveram pontuações mais baixas em testes de vocabulário, leitura e memória dois anos depois.

Ele também explica como o uso de redes sociais em momentos como recreio e nos corredores pode interferir nas amizades. Relacionamentos e habilidades sociais são melhor desenvolvidos pessoalmente, ao ver e reagir às expressões faciais e linguagem corporal das pessoas. "Não é possível construir o mesmo tipo de conexões significativas online", diz Nagata.

Pratique o que você prega

"A forma como os pais usam seus celulares é um dos maiores indicadores do uso de telefone ou telas em geral pelos adolescentes", explica Nagata.

Então, pais, prestem atenção: sejam exemplo do comportamento que vocês querem que seus filhos aprendam. Uma maneira de fazer isso é colocar seu próprio celular no modo "não perturbe" durante o dia de trabalho, segundo ele.

Perceber como é difícil resistir à atração dos celulares ajudará você a pelo menos simpatizar com seus filhos — e, esperançosamente, desenvolver habilidades úteis para compartilhar.

Esse conteúdo foi publicado originalmente em
InternacionalVer original