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Campanha especial combate preconceito contra pets pretos e mobiliza atriz

Betty Gofman, engajada há anos com a causa animal, vê campanha como urgente

Nicoly Bastos, da CNN Brasil
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Pelo mês de novembro, uma campanha nacional que visa incentivar a adoção de animais de estimação de pelagem preta ganha foco entre ONGs e a atriz Betty Gofman, 60.

A campanha, intitulada “Black Pet Friday: gato e cachorro preto? SORTE de quem tem!”, é liderada pela empresa Organnact, referência nacional em suplementação nutricional para animais. O movimento realizada em parceria com ONGs de todo o Brasil, quer desmistificar superstições antigas, combater estigmas e aumentar a adoção desses animais.

Segundo levantamentos de organizações de bem-estar animal, cerca de 30% dos pets em abrigos têm pelagem preta, e são justamente os últimos a serem escolhidos por adotantes. As razões vão desde crenças infundadas -- como a ideia de que “gato preto dá azar” -- até julgamentos estéticos e estereótipos de agressividade.

Para mudar esse cenário, a campanha promove durante todo o mês de novembro feiras de adoção dedicadas exclusivamente a pets pretos, realizadas pelas ONGs parceiras. Tutores que adotarem receberão kits especiais da Organnact com produtos e materiais educativos sobre bem-estar animal.

“É muito comum vermos cães e gatos pretos esperando há anos”, diz ONG

A realidade da rejeição foi reforçada por Mariane Mazzon, fundadora do Instituto SOS 4 Patas Paraná, uma das ONGs participantes da campanha. Ela relata que mesmo ações focadas nesses animais enfrentam resistência do público.

“Nós fizemos um evento chamado "Black Love Day" e só dois foram adotados. Nós gravamos um vídeo mostrando que esse preconceito de fato existe e conseguimos fazer algumas adoções depois disso. Toda a ajuda que tiver de pessoas falando sobre isso vai ajudar a conscientizar as pessoas a adotar mais animais de pelagem preta”, reforça ela, em entrevista à CNN.

Mariane lembra histórias marcantes, como as de Caio e Maçã. “O Caio foi um desses animais adotados, ele ficou quatro anos morando com a gente, esperando para ser adotado. A cachorrinha Maçã também, ficou com a gente por mais de três anos, tanto pela pelagem preta, quanto por ter as perninhas debilitadas”.

Betty Gofman: “A gente vê que tem um preconceito até mesmo com os bichinhos”

Entre as apoiadoras da campanha está a atriz Betty Gofman, engajada há anos na causa animal. Ela afirma que testemunha diariamente o preconceito enfrentado por pets pretos e vê a campanha como urgente.

“Eu estou sempre tentando ajudar os bichinhos. E amo todos, sou vegetariana já há algum tempo. Eu tenho muita dificuldade de digerir angústia, tristeza […] A gente vê que tem um racismo até mesmo com os bichinhos. E eles sofrem muitas crueldades na rua. Quando me falaram dessa campanha, achei espetacular. Quero é que todo mundo faça esse tipo de campanha que conscientiza e luta contra esse preconceito, porque os bichinhos pretos também são maravilhosos”, afirma, também à CNN.

A atriz reforça que o problema é tão profundo que chega a impactar o trabalho das protetoras de rua. “Fiquei sabendo de uma protetora que eles estão deixando de resgatar os bichinhos pretos porque ninguém adota e eles precisam que esses animais sejam adotados porque os abrigos estão muito lotados”.

Para Betty, figuras públicas têm papel importante na mudança dessa mentalidade.

“Por já sermos conhecidos, nós figuras públicas temos uma voz, a gente é ouvida. É muito importante usar disso para boas causas. Podemos servir como exemplo, inspiração. Já ouvi uma pessoa falando que ia comprar um cachorro mas quando me ouviu decidiu adotar."

Famílias também ajudam a derrubar mitos

A campanha também destaca histórias de tutores que decidiram abrir o coração para pets pretos, como a de Nathalia Tonet, diretora de marketing, que adotou a cadelinha Dora.

“Quando bati os olhos na Dora, foi amor à primeira vista. Foi um decisão espontânea, mas ter acesso aos dados de adoção dos animais de pelagem preta fez sim diferença na escolha. Quis fazer minha parte para mudar esse triste cenário”, lembra.

Ela conta que a família já sabia do preconceito, embora achasse difícil de acreditar: “Já tínhamos ouvido falar algo, principalmente sobre gatos, mas é algo tão absurdo que não parecia nem real. Com certeza isso contribuiu para escolhermos a Dora, que tem o pelo quase que completamente preto, exceto por uma pequena faixa branca no pescoço e peito”.

A chegada da nova integrante transformou a rotina da casa -- e veio acompanhada de outra mudança importante.

“Ela trouxe mais amor e alegria onde eu achei que nem fosse possível caber mais. Estamos grávidos do nosso primeiro filho, que nasce no final de janeiro […] Não há felicidade maior de saber que chegarei em casa e ela estará esperando”, diz Nathalia.

“Assim como qualquer animal, eles só querem o nosso carinho e amor. Retribuem na mesma moeda e com muita gratidão. É hora de deixar preconceitos bobos para trás e viver todo o amor que esses bichinhos tem para nos dar. Se cada um fizer a sua parte, em algum tempo será possível mudar essas estatísticas."