Dalai Lama: quem é o líder espiritual e como funciona reencarnação
Tenzin Gyatzo, 14ª reencarnação da figura religiosa, afirmou que um novo líder deverá ser nomeado após sua morte

Atual reencarnação do Dalai Lama, Tenzin Gyatzo afirmou que um novo líder espiritual será nomeado após sua morte. Segundo crença tibetana, cuja possui fortes influências do budismo, os Dalai Lamas são manifestações de Avalokiteshvara ou Chenrezig, o Bodhisattva da Compaixão e o santo padroeiro do Tibete. O anúncio veio nesta quarta-feira (2), feito dias antes de seu 90º aniversário, celebrado no próximo domingo (6).
A figura do Dalai Lama é central no budismo tibetano e representa, segundo o site oficial da figura religiosa, o desejo de atingir a iluminação completa. Os Dalai Lamas também teriam jurado renascer no mundo para ajudar todos os seres vivos.
Tenzin Gyatzo seria a 14ª reencarnação do Dalai Lama. A crença sustenta que o Dalai Lama pode escolher conscientemente onde e quando renascer para continuar sua missão espiritual, por meio da força da compaixão e da oração.
Como funciona a reencarnação
Segundo a tradição, quando um Dalai Lama morre, ele renasce em uma nova forma humana para continuar sua missão de compaixão e liderança espiritual. Esse processo é uma prática milenar tibetana, baseada na crença de que mestres iluminados podem escolher seu renascimento para beneficiar os seres sencientes.
O reconhecimento de uma nova encarnação segue procedimentos específicos. Entre os sinais mais tradicionais estão profecias deixadas pelo Dalai Lama anterior, visões em lagos sagrados, oráculos e a capacidade da criança de reconhecer objetos pessoais do líder falecido. Esse sistema foi institucionalizado no século 15, com o reconhecimento de Gedun Gyatso como o primeiro Dalai Lama. Desde então, 14 Dalai Lamas foram reconhecidos, sendo o atual Tenzin Gyatso.
O renascimento pode ocorrer de duas formas: de maneira involuntária, guiada pelo carma e pelas emoções destrutivas; ou conscientemente, movido pela compaixão, como fazem os Bodhisattvas – mestres que escolheram permanecer no ciclo de renascimentos para ajudar outros seres.
Depois da morte do Dalai Lama anteriror, as principais lamas – monges ou sacerdotes de vários níveis de idade que ensinam o budismo – seguem para um lago sagrado no Tibete, chamado Lhamo Lhatso, e meditam até ter uma visão de onde procurar o sucessor.
Em seguida, eles enviam para o local da visão grupos de busca por todo o Tibete, à procura de crianças que são “especiais” e nascidas um ano após a morte do Dalai Lama.
Assim que encontram vários candidatos, as crianças são testadas para determinar se são a reencarnação do Dalai Lama. Alguns dos métodos incluem mostrar a elas itens que pertencem ao lama falecido, ou seja, a encarnação anterior.
Após concluído o processo de reconhecimento, o menino identificado como Dalai Lama passa por anos de estudo religioso.
Reencarnação em campo de batalha
O processo virou campo de batalha geopolítico. Desde que o atual Dalai Lama fugiu para a Índia após uma revolta fracassada contra o domínio chinês em 1959, o Partido Comunista da China tem tentado exercer controle sobre a sucessão da liderança espiritual no Tibete — uma região que Pequim domina, mesmo diante da resistência cultural e religiosa tibetana.
O novo anúncio do Dalai Lama deixa claro que a escolha de seu sucessor seguirá as tradições religiosas tibetanas e ocorrerá fora da influência do governo chinês. Ele também reforçou que o Gaden Phodrang Trust, sistema de governo tibetano, é o único com autoridade legítima para reconhecer sua futura reencarnação.
Essa posição entra em confronto direto com a postura oficial de Pequim. Em resposta, o governo chinês reafirmou que a reencarnação do Dalai Lama deve seguir leis e regulamentações chinesas, e que o processo de busca e aprovação deve ocorrer dentro da China, sob controle do governo central.
*Com informações de Simone McCarthy e Tenzin Dharpo, da CNN.


