Descubra dicas de decoração para uma festa de Halloween criativa
Velas, objetos antigos e toques de nostalgia, especialista ensina como transformar qualquer ambiente em um cenário de Halloween autêntico, equilibrando o assustador e o divertido com criatividade e personalidade.
O Halloween, antes restrito aos filmes americanos e séries de TV, vem ganhando cada vez mais espaço nas casas e festas brasileiras. O que antes era visto como uma celebração distante, hoje já aparece em escolas, condomínios, restaurantes e até pequenas reuniões entre amigos. A data virou sinônimo de criatividade, autenticidade e diversão estética, em que a decoração é quase uma personagem à parte da festa.
Mas engana-se quem pensa que Halloween é sinônimo de “monstros e abóboras”. A nova geração de festas vem mostrando que o terror pode, sim, ter sofisticação, e até um toque de humor. É o que defende a designer de interiores, Raissa Fortes. Para ela, a tendência deste ano reflete um espírito curioso do tempo: um diálogo entre o futuro e o passado, entre o digital e o nostálgico.
“Acredito que estamos num momento bem futurista, porém com uma pegada retrô”, explica. “Essa dualidade e instabilidade trazem esse vetor da nostalgia, refletido na iluminação, nos espaços instagramáveis e nos elementos que remetem ao passado”, afirma Raissa.
O Halloween brasileiro está mais criativo
Com o avanço das redes sociais, o Halloween deixou de ser apenas um evento de grandes festas noturnas e ganhou versões mais intimistas, feitas em casa. Para Raissa, isso impulsionou a cultura da decoração “faça você mesmo”, com soluções simples e personalizadas.
“No meu tempo não tínhamos essas comemorações de Halloween”, conta. “Hoje está bem integrada na nossa cultura, e o pessoal tem levado a sério, tanto a comemoração quanto as fantasias”, declara a decoradora.
E mesmo com o crescimento das tendências visuais, alguns símbolos continuam eternos.
“Sem dúvida, a abóbora é o elemento-chave quando pensamos em Halloween. Ela já está enraizada no inconsciente coletivo”, afirma.
Além de trabalhar com símbolos já conhecidos pelo imaginário popular, Raissa recomenda um exercício simples: olhar para dentro.
“Acredito que a decoração tenha que fazer sentido para quem está criando. Observe o seu passado: o que te encantou ou te cativou? Um filme de terror, talvez um elemento que te aterrorizava”, sugere. “Eu tinha pavor de Poltergeist, por exemplo, e talvez buscasse por essas referências na hora de decorar.”
A alma do clima de Halloween
A iluminação é um dos pontos centrais para definir o tom da festa e, segundo Raissa, é também o recurso mais poderoso (e barato) para transformar o ambiente.
“A iluminação indireta cria o clima, pode ser um abajur no canto da sala, velas em diferentes alturas, ou cordões de luz colorida pendurados na parede. Tudo isso dá profundidade e mistério ao espaço.”
Ainda pensando em como dar o tom necessário para uma festa de Halloween, um dos grandes desafios é encontrar o ponto certo entre o medo e a leveza, principalmente quando há crianças na festa.
“Elementos divertidos são a peça-chave. As crianças gostam do mistério, mas é preciso observar o limite entre o instigante e o aterrorizante. Peça ajuda na hora de criar a decoração, integre como atividade lúdica e explique como tudo foi pensado, assim o mistério se dissolve e vira brincadeira”, orienta.
Dá pra decorar gastando pouco e com muito estilo
A boa notícia: não é preciso investir em grandes produções para criar uma atmosfera marcante. Raissa garante que criatividade vale mais que orçamento.
“Às vezes, apenas velas em suas variáveis formas já bastam”, afirma. “O algodão também é um grande aliado e pode ser usado como teia de aranha ou para fazer fantasmas. E observar o que já tem em casa faz toda diferença, às vezes um quadro bizarro da sua avó, com um pisca-pisca, já monta o clima.”
Ela destaca o poder do reaproveitamento e lista alguns itens coringa que podem ser transformados:
- Lençóis antigos: viram fantasmas ou fundos de cenário.
- Velas e potes de vidro: para iluminação e centro de mesa.
- Brinquedos antigos ou bonecas: para uma pegada assustadora e divertida.
- Quadros, molduras ou retratos antigos: com retoques criativos de tinta ou iluminação.
- Abóboras naturais, pintadas ou entalhadas: o clássico que nunca falha.
Cores, contrastes e ousadia
Quando o assunto é paleta de cores, Raissa recomenda fugir do lugar-comum do preto e laranja.
“Paletas escuras continuam em alta, vermelho, azul profundo, prata, mas é possível inovar”, explica. “Muito brilho dá destaque, e um branco bem usado pode ser chique. Basta umas manchas vermelhas e o visual já fica impactante.”
O Halloween consolidou-se como uma data que estimula a criatividade e a expressão pessoal no Brasil. Raissa destaca que o sucesso das festas está justamente na liberdade de reinterpretar o terror com identidade própria, misturando humor, estética e memória afetiva.


