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Estudo analisa como os cães alteram a qualidade do ar da sua casa

Segundo pesquisa, os cachorros liberam partículas grandes quando respiram, se coçam ou recebem carinho dos seres humanos

Caroline Ferreira, da CNN Brasil
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A qualidade do ar que respiramos é única em cada ambiente, variando até mesmo de uma residência para a outra. Isso ocorre porque o ar interno possui uma espécie de assinatura química exclusiva, composta por gases, partículas e microrganismos emitidos por seus habitantes — incluindo os animais de estimação.

Um recente estudo publicado na revista Environmental Science & Technology, no início do mês, quantificou como os cães influenciam esse ecossistema invisível através de atividades cotidianas, como respirar, brincar ou simplesmente se sacudir.

 

Na análise, os pesquisadores usaram uma câmara climática controlada, com ar filtrado e condições estáveis. O desafio foi manter os animais (grupos de chihuahuas e cães de grande porte) relaxados, contando com a presença de tutores conhecidos para evitar o estresse.

"Esses resultados fornecem 'fatores de emissão' quantitativos que podem ser incorporados em modelos de qualidade do ar interno e de exposição, aprimorando a forma como simulamos residências reais onde pessoas e animais de estimação compartilham o mesmo espaço. Essas descobertas também ajudarão a compreender melhor as fontes de poluição e a determinar como podemos melhorar a qualidade do nosso ambiente de vida”, disse Dusan Licina, da Escola Politécnica Federal de Lausana (Suíça), em comunicado.

Afinal, o que foi observado?

Esse foi o primeiro estudo a analisar — com metodologia e rigor — a influência dos animais de estimação na qualidade do ar interno. Entre os principais indicadores utilizados estavam fatores já comprovadamente conhecidos justamente por estarem relacionados à poluição interna ocasionada pelos seres humanos.

Enquanto a pele humana libera células, baixos níveis de amônia (NH3) e compostos orgânicos voláteis, e as roupas dispersam fibras e microrganismos, a respiração de ambas as espécies compartilha uma métrica comum: a liberação de gás carbônico (CO2). Segundo o estudo, humanos e cães apresentam níveis de emissão de CO2 muito semelhantes.

A amônia (NH3), um indicador da atividade biológica resultante da digestão de proteínas, também é expelida por ambos através da pele e da exalação. Embora o volume total produzido por cães e seus donos seja equivalente, a proporção de amônia em relação ao CO2 é nitidamente superior nos caninos.

“Em outras palavras, um cão que exala a mesma quantidade de CO2 que um humano produzirá significativamente mais amônia. Essa diferença provavelmente se deve à sua alimentação mais rica em proteínas, ao seu metabolismo único e à sua respiração acelerada, que é uma das maneiras pelas quais eles controlam a temperatura corporal”, explicou Licina.

Pelos caninos

A movimentação dos cães — como coçar-se ou balançar o corpo — libera grandes quantidades de poeira, pólen e detritos. Os sensores detectaram que cães de grande porte emitem de duas a quatro vezes mais microrganismos do que os humanos.

Embora os cães sejam os principais "poluidores" biológicos do ambiente doméstico, isso não é necessariamente negativo. Segundo Dusan Licina, líder do estudo, essa diversidade microbiana pode ser benéfica para o fortalecimento do sistema imunológico, especialmente em crianças.

"O impacto preciso na saúde humana ainda é pouco compreendido, [mas] as medições também ajudam a quantificar como os animais de estimação atuam como 'transportadores' móveis, transportando material biológico para dentro de casa e redistribuindo-o por meio de atividades cotidianas", disse.