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    Hairstylist das estrelas do cinema defende fios brancos e naturais

    John Nollet cuida da beleza das estrelas do cinema e lança tendências nos red carpets internacionais. Em entrevista à CNN, ele fala da importância de um bom corte e de como usá-lo como nosso aliado

    John Nollet, hairstylist das estrelas do cinema
    John Nollet, hairstylist das estrelas do cinema Divulgação

    Cibele Macietcolaboração para a CNN

    Paris

    O corte chanel de Amélie Poulain? Foi ele. Os dreadlocks de Jack Sparrow? Também. John Nollet, o cabeleireiro de estrelas do cinema como Nicole Kidman, Monica Belucci, Uma Thurman e Juliette Binoche, se diz um louco por cabelos desde a infância, quando “seguiu os movimentos do cabelo de uma mulher durante uma noite inteira em um baile”.

    Não à toa, dos bailes ele passou direto para os tapetes vermelhos, estúdios fotográficos e sets de filmagens ao redor do mundo. Hoje, de suas mãos saem os penteados mais copiados na Europa. Ele sempre lança uma tendência, que logo é copiada, principalmente pelas francesas.

    Na mais recente campanha da Balenciaga, por exemplo, foi ele quem cuidou de ninguém menos que Isabelle Huppert, uma das atrizes francesas mais importantes atualmente. Só uma breve bisbilhotada no seu Instagram, onde possui cerca de 70 mil seguidores, dá para ver que Charlotte Casiraghi e Vanessa Paradis são clientes assíduas, só para citar mais algumas famosas.

    O hairstylist também é um empresário e possui, além dos salões na capital francesa – no palácio cinco estrelas Park Hyatt Vendôme e no Pop-Up do Forty-One Studio -, e em Courchevel, no hotel Cheval Blanc, uma linha de joias de cabelo feita por Lemarié e Lesage – leia-se os melhores artesãos de alta-costura de Paris.

    “Mexer nos cabelos é mexer com a allure, com o movimento do corpo de alguém. Tive sorte, porque muitas atrizes confiaram em mim para viverem momentos especiais nos red carpets. Meu trabalho, misturado com a elegância e singularidade de cada uma dessas mulheres, fez quem sou hoje”, diz John Nollet à CNN Brasil.

    “Sempre fui apaixonado pelo meu trabalho. Ele me permitiu descobrir universos bem diferentes, uma verdadeira fonte de curiosidades e de encontros muito especiais”, continuou.

    Um deles é épico. “Tive a chance de trabalhar em um filme brasileiro, ‘Tieta do Agreste’ (1996), com Sonia Braga, que me permitiu permitiu viajar para São Paulo, Rio e Salvador. Sou apaixonado pelo país e pela cultura brasileira: já fui muitas vezes para o Carnaval do Rio, amo a música e a energia. O samba me deixa completamente inebriado: os cocares de penas brasileiras inspiraram muito minhas criações de acessórios para cabelo”, revela.

    Beleza no cinema

    O corte icônico de Audrey Tautou em “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” / Divulgação

    Trabalhar com os cortes e penteados de um filme possibilita imprimir uma imagem forte da história através dos personagens, acredita Nollet. “Sempre disse a mim mesmo que o cabelo deveria ajudar na narração de um filme. Você não pensa em Jack Sparrow (interpretado por Johnny Depp em ‘Piratas do Caribe’ em 2003) sem os cabelos compridos e emaranhados e a bandana, pensa?”, questiona.

    Assim como Amélie Poulain, no qual o corte chanel com franja reta marcou o cinema para sempre. “Esse corte nasceu do fato de Amélie cuidar tanto dos outros que não conseguia achar tempo para cuidar desi e de seus próprios  cabelos. Ela precisava de um cabelo que não precisasse nem olhar”, explica.

    Depois de todos esses anos de carreira e centenas de clientes, histórias e tendências, hoje Nollet acredita que seu corte de cabelo e penteado favoritos vem mesmo é da desordem. “É o penteado bagunçado, aquele que exige sim muita técnica para parecer natural. Como se uma certa despreocupação viesse justificar esta elegância e esse ‘art de vivre’ dito parisiense. Um estilo muito simples, mas com muito bom gosto e audácia”, ensina.

    Para ele, aliás, um bom corte é fundamental. Nollet compara com a arquitetura e suas linhas, ondulações, oblíquos, curvas, como as de um rosto e de um olhar. “Os cabelos se entrelaçam, e eu procuro, acima de tudo, dar liberdade para a mulher”, conta.

    “Um corte deve funcionar em 360 graus, sem ângulos, para durar de três a quatro meses, sem causar preocupação. O cabelo, sendo o acessório mais importante de uma mulher, deve ser muito bem cuidado, pois é o que a acompanha de manhã até a noite”, diz, sem deixar de destacar que “o mais importante é a liberdade de movimento, de tempo, de poder ter diferentes ritmos durante um dia inteiro”.

    Há, é claro, momentos em que é preciso ter um cabelo mais sofisticado para sair à noite, ou em ocasiões especiais. Para isso, John trabalha em equipe com um maquiador, um estilista e seu “maestro”, diz ele: a dona do cabelo. “Trata-se de uma verdadeira sinergia. É a mulher quem manda e que vai ‘carregar’ aquela silhueta em total harmonia”, detalha.

    Falando em cuidados com os cabelos, a França ainda esta há anos luz de distância do Brasil, um dos países onde mais se vende produtos e tratamentos capilares.

    John concorda e diz que os cabelos devem ser paparicados, assim como a pele. “Eles necessitam de cuidados completos e complementares. São hábitos que as mulheres precisam adotar, assim como fazem com o corpo e com o rosto. Eu testo absolutamente todos os produtos do mercado e, acima de tudo, trabalho com minhas próprias composições”, assegura. “O cabelo é um reflexo do nosso estado de espírito e devemos ouví-lo e olhá-lo”, diz.

    Cabelos brancos

    Um dos temas que mais se discutiu no universo da beleza nos últimos dois anos, principalmente por conta da pandemia, foi a praticidade. Diversas celebridades surgiram trazendo à luz temas como os fios brancos, até então escondido até o último fio.

    “Temos de assumir os cabelos brancos, que trazem luz para o rosto. As mulheres nos anos 1950 descoloriam os cabelos para captar a luz, tingindo-os de loiro platinado. O tempo torna as coisas melhores: envelhecer é viver o tempo que passa com alegria, naturalmente, é poder se mostrar sem precisar provar nada.

    Nollet finaliza dizendo que não existem regras. “Sou a favor de ter cabelo curto na juventude, por exemplo. Este é o momento em que temos tudo para mostrar e nada para esconder. Já o cabelo na altura dos ombros permite a vivência da feminilidade. O cabelo é o acessório mais bonito da mulher. Eles são um aliado, dão suporte e acompanham o rosto que está envelhecendo. O mais importante é se sentir única”.