Nova técnica captura aroma de flores vivas sem precisar colhê-las
Inovação une ciência e natureza para reproduzir cheiros reais com precisão e sem danos ambientais

Nos últimos anos, a perfumaria tem passado por uma verdadeira revolução científica. A busca por aromas mais autênticos e sustentáveis levou pesquisadores a desenvolver novas formas de capturar a essência da natureza sem explorá-la de maneira agressiva.
A nova técnica chamada Green In® representa um avanço na perfumaria por conseguir capturar o cheiro exato de flores vivas sem precisar colhê-las ou destruí-las. O processo combina análise molecular, microextração em fase sólida e cromatografia gasosa, métodos científicos usados para identificar o conjunto de moléculas que formam o “DNA olfativo” de cada espécie. Assim, é possível mapear o aroma natural diretamente da flor, mantendo sua integridade e evitando desperdício.
A técnica foi desenvolvida pelo Boticário. A partir das moléculas coletadas, os perfumistas utilizam um nariz digital — um equipamento capaz de analisar e reproduzir combinações aromáticas com altíssima fidelidade. Essa ferramenta já auxiliou na criação de mais de cem fragrâncias desde 2019, e se tornou essencial para recriar acordes inspirados na natureza viva.
Segundo Gustavo Dieamant, Diretor de Pesquisa & Desenvolvimento do Grupo Boticário, a proposta une tecnologia e sustentabilidade: “A técnica reflete nosso olhar para o futuro, em que ciência e natureza coexistem para criar experiências únicas e responsáveis".
O projeto teve início em 2022 com um estudo sobre o potencial olfativo de rosas cultivadas no Brasil, em cidades como Curitiba, Holambra e Porto Alegre. As flores de Holambra se destacaram pelo aroma mais puro, servindo de base para o trabalho em laboratório.
Para equilibrar o buquê floral, os pesquisadores escolheram a gardênia, analisada junto da rosa no Quintana Herbal, centro de pesquisa dedicado à criação de ingredientes exclusivos. As flores foram examinadas, permitindo capturar o momento exato em que exalam seu perfume natural. Com base no material, os perfumistas César Veiga e Natasha Côté (IFF) desenvolveram a fragrância.
“Acreditamos que a natureza fala e que a ciência é o que nos permite escutá-la. Nosso desafio foi traduzir o perfume da rosa viva — não apenas o cheiro, mas o instante em que ela respira”, explicou César, que destacou como a técnica consegue transformar um momento efêmero em uma experiência sensorial duradoura.


